Foi preciso que a poeira e os buracos da MT-170 chegassem diretamente ao gabinete da pré-campanha do governador Otaviano Pivetta para que a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT) finalmente resolvesse agir. Após meses de denúncias da população sobre a qualidade pífia do trecho entre Castanheira e Colniza — apelidado no interior de “asfalto de farelo” —, o governo anunciou o rompimento unilateral dos contratos e a aplicação de R$ 7,2 milhões em multas contra os consórcios responsáveis.

A providência enérgica, contudo, carrega um indisfarçável timing eleitoral. As falhas graves na pavimentação, com camadas de asfalto mais finas que o tolerado e descolamento do pavimento em menos de um ano de uso, vinham sendo relevadas enquanto o prejuízo ficava restrito aos motoristas da região. A virada de chave só ocorreu quando as pesquisas qualitativas indicaram que o desgaste das obras estaduais começou a esfarelar os índices de aprovação da atual gestão e a emperrar a aceitação de Pivetta junto ao eleitorado do agronegócio e do interior.