O acirramento dos debates e as discussões acaloradas que tomaram conta das últimas sessões na Câmara Municipal de Rondonópolis expõem movimentos de bastidor que vão muito além de meros embates ideológicos. No centro das atenções, a postura do vereador Alikson Reis (Podemos) vem sendo encarada por interlocutores do meio político como um claro exemplo de atuação de ocasião.

Conhecido por um mandato discreto e marcado por longo período de distanciamento das demandas populares que o projetaram, Alikson subitamente elevou o tom de suas falas e passou a adotar uma postura bélica no plenário. O repentino ‘fôlego’ oposicionista, contudo, não convence as lideranças comunitárias que acompanham o cotidiano da Casa de Leis. Para muitos, a mudança drástica de atitude do parlamentar coincide de forma cirúrgica com o afunilamento do calendário eleitoral de 2026.

A manobra de Alikson desenha uma tentativa desesperada de resgatar o espaço político perdido ao longo dos últimos anos. Ao perceber a perda de tração junto à sua antiga base de apoio, o vereador busca criar palanque artificial e gerar fatos políticos na tribuna para tentar reverter a alta taxa de rejeição e a sensação de abandono deixada em suas bases eleitorais.

Ao tentar se recalibrar como voz combativa na reta final do mandato, Alikson Reis deixa transparecer as contradições do seu projeto político. Resta saber se o eleitor de Rondonópolis aceitará o figurino de combatente adotado de última hora ou se enxergará na movimentação do parlamentar apenas mais uma encenação oportunista de quem tenta a todo custo salvar a própria pele na política local.