A disputa pelas oito cadeiras de Mato Grosso na Câmara dos Deputados ganhou um novo elemento estratégico com a projeção de Kalynka Meirelles (Podemos) como potencial surpresa nas urnas de outubro. Vereadora de segundo mandato e com base consolidada em Rondonópolis — município que ostenta a segunda maior economia e o terceiro maior colégio eleitoral do estado, com cerca de 270 mil habitantes e mais de 177 mil eleitores aptos a votar —, a parlamentar entrou de vez no radar das candidaturas com viabilidade real de representação em Brasília.
O fortalecimento da candidatura de Kalynka coincide com um vácuo histórico na representação do município na Câmara Baixa. Sem nomes tradicionais da política local disputando a reeleição ou vaga de deputado federal pelo polo regional — cenário decorrente da migração do deputado José Medeiros para a disputa ao Senado, do foco de Wellington Fagundes na corrida ao Governo do Estado e da ausência de caciques como Carlos Bezerra e Adilton Sachetti na disputa proporcional —, abriu-se um espaço expressivo para a renovação de lideranças na região Sul.
Com perfil carismático, trânsito político e atuação voltada a causas sociais e comunitárias, Kalynka passou a canalizar o sentimento de pertença e o apelo regionalista do eleitorado de Rondonópolis, que cobra protagonismo e representação direta no Congresso Nacional. Essa concentração de votos no polo local pode render uma votação expressiva e decisiva na contagem geral da legenda.
Dentro da chapa do Podemos, que estima atingir o quociente eleitoral projetado em cerca de 231 mil votos e garantir ao menos uma cadeira, a disputa interna é acirrada. Kalynka mede forças com concorrentes de peso eleitoral espalhados por outras regiões do estado, como o ex-deputado Neri Geller, Nelson Barbudo, o coronel Roveri e o ex-prefeito Fernando Gorgen.
A aposta do grupo da vereadora é transformar a densidade eleitoral de Rondonópolis em um colchão de votos compacto e suficiente para superar a dispersão regional dos adversários internos, consolidando o retorno de uma voz genuinamente rondonopolitana à bancada federal em Brasília.
