Em meio ao avanço das investigações da Polícia Federal que descortinaram um suposto esquema de corrupção bilionário nos cofres públicos estaduais, o governador e candidato à reeleição, Otaviano Pivetta (Republicanos), saiu em defesa aberta do ex-governador Mauro Mendes (União) e dos demais membros do primeiro escalão atingidos pela Operação Heritage. Mesmo diante do farto conjunto de indícios levantados pelas autoridades — que resultou no bloqueio de centenas de milhões de reais e no afastamento de secretários e chefes de órgãos do Estado —, Pivetta declarou publicamente que confia na idoneidade dos aliados e minimizou os apontamentos da apuração policial.
A postura do governador de atuar como avalista do grupo político ocorre em um momento de extrema fragilidade da campanha palaciana. A Operação Heritage apura o direcionamento ilegal e o suposto desvio de mais de R$ 300 milhões em precatórios em um polêmico acordo administrativo com a operadora de telefonia Oi, transação executada sob a gestão de Mendes e que, segundo relatórios de inteligência, teria beneficiado diretamente empresas e empreendimentos ligados ao núcleo governista.
Questionado sobre o escândalo que abalou a estrutura do Palácio Paiaguás, Pivetta alegou que, enquanto atuava como vice-governador, não participava diretamente dos detalhes do acordo questionado e sustentou que não enxerga irregularidades administrativas na transação.
“Eu confio na inocência dos meus companheiros e a Justiça vai dar essa resposta para todos nós no tempo necessário”, afirmou o governador.
A tentativa de normalizar os fatos e blindar os aliados contrasta diretamente com a gravidade das medidas judiciais impostas pela Justiça, que incluíram buscas e apreensões, quebras de sigilo, demissões na Casa Civil e na Procuradoria-Geral do Estado, além da imposição de medidas cautelares severas contra os investigados. Para analistas e adversários, a insistência de Pivetta em fechar os olhos para a dimensão do escândalo demonstra o nível de comprometimento de seu projeto com o mesmo grupo que hoje se encontra sob a mira da PF.
A declaração reforça o alinhamento umbilical entre a atual gestão e as práticas investigadas no Palácio Paiaguás. Ao optar por passar pano para as graves suspeitas do Caso Oi em vez de cobrar transparência e apuração rigorosa sobre o destino do dinheiro público, Pivetta amarra em definitivo seu destino político ao desgaste acumulado por Mauro Mendes e seus aliados na reta decisiva da disputa eleitoral.
