Sob forte pressão da sociedade, do setor produtivo e de setores do Congresso Nacional, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, decidiu pautar para o dia 15 de setembro o julgamento definitivo que definirá os rumos das investigações do Caso Master e a situação institucional do ministro Alexandre de Moraes na Corte. A medida representa uma tentativa direta da cúpula do Judiciário de conter o desgaste acumulado e oferecer uma resposta pública e colegiada ao agravamento da crise de credibilidade que atinge o tribunal.

A pauta do plenário reúne os temas mais sensíveis da atual turbulência, incluindo as decisões monocráticas conflitantes que expuseram divergências internas entre os magistrados. O colegiado deverá deliberar sobre o afastamento e a subsequente reintegração do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues — determinada pelo ministro Flávio Dino após despacho do ministro André Mendonça —, além de analisar os recursos e questionamentos que pesam sobre a permanência de Moraes na relatoria de inquéritos estratégicos e na própria composição da Corte.

O agendamento da sessão atende, em parte, ao clamor externado por mais de 3 mil entidades empresariais, capitaneadas pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), e aos editoriais contundentes publicados pelos principais veículos de imprensa do país. As cobranças públicas vinham apontando a insustentabilidade do silêncio institucional diante da revelação de mensagens e relatórios policiais envolvendo diálogos entre o magistrado e investigados, além de vínculos advocatícios do escritório de sua esposa com partes ligadas ao caso financeiro.

Com a data marcada para a deliberação, o Supremo entra em contagem regressiva para um dos julgamentos mais tensos de sua história recente. A definição em plenário será determinante não apenas para pacificar as divisões internas entre os ministros e a corporação policial, mas também para balizar o ambiente político em Brasília e redefinir as margens de estabilidade institucional no país.