Apesar de estar no comando do Palácio Paiaguás e de acumular anos de vida pública na política mato-grossense, o pré-candidato do Republicanos ao Governo de Mato Grosso, Otaviano Pivetta, enfrenta um obstáculo primário e preocupante no maior colégio eleitoral do estado. A revelação veio diretamente do núcleo duro de sua própria chapa: o empresário e ex-senador Cidinho Santos, coordenador-geral da campanha, admitiu abertamente que Pivetta ainda é um nome “desconhecido” para boa parte da população da Baixada Cuiabana.

A constatação de Cidinho escancara o isolamento do vice-governador em relação à região metropolitana de Cuiabá e Várzea Grande. Enquanto sua imagem é fortemente associada ao Médio-Norte e às forças do agronegócio do interior, o gestor não conseguiu criar laços de apelo popular no polo urbano que concentra o maior contingente de eleitores de Mato Grosso.

Diante do diagnóstico indigesto na reta final das articulações eleitorais, a coordenação de campanha corre contra o tempo para montar uma operação de resgate e popularização de Pivetta. Segundo Cidinho Santos, a prioridade absoluta nos próximos meses será intensificar agendas de rua, caminhadas nos bairros periféricos e encontros comunitários na capital para tentar reverter a falta de tração do candidato:

“O Pivetta precisa ser conhecido pela população da Baixada Cuiabana. As pessoas precisam saber quem ele é, o trabalho que ele fez e a sua capacidade de gestão. Vamos intensificar a presença dele em Cuiabá e Várzea Grande para que o eleitor possa conhecer a sua história.”

A declaração do coordenador expõe o tamanho do desafio enfrentado pelo grupo governista. Ter que “apresentar” um candidato que ocupa a vice-governadoria para o eleitorado metropolitano revela as fragilidades de um projeto que, até o momento, priorizou os bastidores partidários e os grandes produtores em detrimento do contato direto com a população da capital.