As declarações explosivas do deputado estadual Júlio Campos (União Brasil) escancaram de forma irreversível o nível de ruína interna e o racha moral que consome a cúpula do próprio partido de Mauro Mendes. Em um dos ataques mais duros e heterodoxos já registrados na política mato-grossense, o cacique político rompeu de vez a liturgia partidária, profetizando que novos desdobramentos de investigações em curso podem limar em definitivo o ex-governador da disputa ao Senado Federal, além de classificar qualquer apoio ao ex-gestor como um desvio ético inaceitável.
Com o peso de quem conhece as engrenagens e os subterrâneos do poder em Mato Grosso, Júlio Campos elevou o tom para o campo religioso ao disparar uma frase que ecoou como um estrondo na Assembleia Legislativa e nos bastidores partidários:
“Amigo meu que votar em Mauro Mendes para o Senado está contrariando o desígnio de Deus.”
A fala de Júlio Campos vai muito além da retórica inflamada de plenário. Ao apontar abertamente que “novos fatos” — em clara alusão ao aprofundamento das investigações da Polícia Federal sob o crivo do Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito do escândalo de R$ 308 milhões da Operação Heritage — têm o condão de sepultar juridicamente a chapa de Mendes, o parlamentar antecipa o movimento de debandada dentro do União Brasil.
A alfinetada desidrata publicamente a tentativa do ex-governador de manter o controle do grupo situacionista e expõe que o isolamento do Palácio Paiaguás não vem apenas da oposição, mas de seus próprios quadros históricos. Ao evocar os “designíos de Deus” para interditar moralmente o voto em Mauro Mendes, Júlio dá o sinal verde para que a militância e os prefeitos da base abandonem o barco governista antes do naufrágio nas urnas de outubro.
