Parece que a “justiça” do trabalho no Brasil é, acima de tudo, um negócio extremamente rentável para quem a comanda do topo. Em março, o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Luiz Phillipe Vieira de Mello Filho, aquele que se declaou vermelho, não se deixou intimidar pela realidade econômica do país e, acompanhado por outros 21 dos 25 ministros da corte, garantiu rendimentos que ultrapassaram a barreira dos 100 mil reais. Para os magistrados que passam o dia decidindo o destino de verbas trabalhistas alheias, o mês foi de fartura absoluta, provando que o teto constitucional em Brasília funciona como um teto solar: só serve para ser aberto quando o sol dos privilégios brilha mais forte.

O festival de rendimentos astronômicos, que faz qualquer salário mínimo parecer um erro de arredondamento, expõe a face mais cruel da burocracia togada. Enquanto Luiz Phillipe e sua bancada desfrutam de penduricalhos e vantagens que inflam o contracheque além de qualquer limite moral, o trabalhador que eles supostamente protegem luta para garantir o básico. É o milagre da multiplicação das verbas indenizatórias, onde a criatividade contábil do Judiciário consegue transformar o orçamento público em um cofre particular sem fundo, protegido pelo silêncio dos gabinetes e pela conivência do sistema.

Essa ostentação salarial no TST sob a liderança de Luiz Phillipe é o exemplo definitivo de como o Judiciário brasileiro se tornou uma ilha de prosperidade isolada do mar de dificuldades enfrentado pela população. Para os ministros, o conceito de “crise” é apenas um tema de processo, nunca uma realidade no extrato bancário. No teatro do poder brasiliense, a peça encenada em março teve um roteiro de luxo: o povo paga a conta e a elite de toga colhe os louros, reafirmando que, no Brasil, a justiça pode até ser cega, mas certamente sabe muito bem como contar dinheiro.