O Palácio do Planalto parece ter se transformado em um deserto político onde os ecos das ordens de Lula não encontram mais ressonância nas cúpulas do Legislativo. Em um golpe devastador para a autoridade presidencial, o Senado Federal rejeitou a indicação de Jorge Messias para a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), um movimento que não ocorria com tal intensidade há décadas. Enquanto o governo tenta, de forma atabalhoada, estudar uma reação para o “não” dos senadores, o clima nos corredores de Brasília é de que a caneta do presidente perdeu a tinta e o prestígio, deixando Messias e o prestígio da AGU na sala de espera da irrelevância.

Como se a humilhação no Senado não fosse suficiente, a Câmara dos Deputados e o Senado se preparam para impor mais uma derrota em série ao Executivo: a derrubada do veto à dosimetria penal. O Congresso Nacional, agora operando com uma agenda própria e ignorando os apelos da articulação política do governo, deve atropelar as decisões de Lula para impor uma visão legislativa que ignora as diretrizes do Planalto. Esse cenário de “veto sobre veto” mostra que o governo não apenas perdeu a capacidade de propor, mas também de vetar, tornando-se um passageiro de luxo (e muito caro) nas decisões que realmente moldam o país.

A sucessão de derrotas acende o sinal vermelho para as pretensões de reeleição em 2026. Com o Congresso dominado por um Centrão que sente o cheiro de sangue político e uma base governista que se desintegra diante de qualquer pressão, Lula caminha para se tornar um “lame duck” (pato manco) antes mesmo do último ano de mandato. Se o governo não consegue aprovar um ministro no STF ou manter um veto básico, a viabilidade de uma candidatura competitiva para o próximo pleito torna-se um sonho distante. Em Brasília, a percepção é de que o jogo virou: agora é o Congresso quem dita as regras, enquanto o Planalto apenas assiste ao desmonte de sua governabilidade, provando que, na política, o espaço perdido para o adversário raramente é recuperado sem o sacrifício do próprio poder.