O Palácio do Planalto agora vive o dia seguinte de um pesadelo político que muitos acreditavam ser impossível. Com a rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Lula é obrigado a recalcular a rota e recomeçar o processo de escolha do zero. Não existe um limite constitucional para quantas vezes um presidente pode indicar nomes para a mesma vaga, mas o fiasco histórico de ter um escolhido barrado obriga o governo a vasculhar seus quadros em busca de alguém que consiga a proeza de ser aprovado por um Senado que cheirou sangue e gostou do que provou.

O caminho para o novo indicado será longo e repleto de armadilhas políticas. O rito legal recomeça com uma nova mensagem presidencial enviada ao Legislativo, que deve ser lida no plenário e encaminhada para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Lá, o novo escolhido passará por uma sabatina técnica e política, onde cada detalhe de seu currículo será escrutinado por parlamentares que agora sabem que podem dizer “não” sem medo de represálias. Somente após o aval da comissão é que o nome segue para o plenário, onde a barreira dos 41 votos favoráveis aguarda para decidir o futuro da toga.

A derrota de Messias escancara uma crise de articulação que o governo não consegue mais esconder com discursos de otimismo. Enquanto o Planalto estuda se indica um perfil mais técnico para “acalmar os ânimos” ou se insiste em uma face política, a vaga no STF permanece aberta, aguardando uma nova rodada de beija-mão e negociações de bastidor. O recado dos senadores foi dado com letras garrafais: o tempo das indicações garantidas acabou, e a próxima escolha terá que ser feita com muito mais habilidade — ou muito mais concessões — para evitar que o governo colecione mais um item em sua crescente galeria de derrotas.