O Palácio do Planalto está prestes a descobrir que, no atual Congresso Nacional, a caneta do presidente Lula para vetos tem a mesma utilidade de um guarda-chuva em um furacão. A análise do cenário político deixa claro que a articulação do governo entrou em coma profundo, enquanto parlamentares do Centrão e da oposição já aquecem os motores para derrubar o veto presidencial ao projeto que trata da dosimetria das penas. Para o governo, que tentava manter uma mão suave na aplicação da lei, o recado das galerias de Brasília é um sonoro “não”, provando que quem manda no tamanho da régua punitiva agora é o Legislativo, e não os gabinetes climatizados do Ministério da Justiça.
A queda do veto não é apenas uma questão de técnica jurídica, mas um exercício puro de demonstração de força contra um governo que parece ter perdido a chave da própria casa. Enquanto o Planalto tenta argumentar sobre “proporcionalidade” e “direitos”, o Congresso responde com o rolo compressor, sinalizando que a era dos afagos na segurança pública acabou. Essa derrota iminente no PL da Dosimetria serve como o acompanhamento perfeito para o prato principal de humilhação servido recentemente com a rejeição de Jorge Messias para o STF, consolidando a imagem de um Executivo que apenas assiste, de camarote e sem ingresso, às decisões que realmente mudam o código de conduta do país.
Para os caciques que comandam as votações, o endurecimento das penas via Legislativo é o combustível ideal para as bases eleitorais de 2026, enquanto para Lula, é mais um prego no caixão de sua governabilidade. Ao perder o controle sobre como o Estado pune, o governo entrega o último bastião de influência na segurança pública para uma oposição que cheirou sangue e não pretende recuar. No final das contas, a dosimetria política de Brasília indica que o governo está pesando cada vez menos na balança, enquanto o Congresso assume o papel de juiz, júri e executor das políticas públicas, deixando o presidente com o papel ingrato de assinar o recibo de sua própria irrelevância.
