Segundo matéria do site cuiabano Olhar Direto o deputado Sebastião Rezende (União) descobriu uma nova forma de “evangelização” administrativa: a nomeação de parentes. Em um movimento que une a fé no poder com a generosidade do Tesouro Estadual, o parlamentar mantém na folha de pagamento da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) uma lista seleta de familiares de pastores ligados à Convenção dos Ministros das Assembleias de Deus (COMADMAT). A estratégia, que de “santa” não tem nada, visa garantir que o apoio das lideranças religiosas nas urnas seja tão sólido quanto o salário depositado todo mês na conta dos apadrinhados.
A “irmandade” da folha de pagamento inclui esposas, filhos e sobrinhos de pastores influentes, provando que, no gabinete de Rezende, a meritocracia é baseada na árvore genealógica e no prestígio dentro da convenção. Enquanto o cidadão comum reza por um emprego, os escolhidos do deputado recebem a “benção” da nomeação sem precisar passar por qualquer provação que não seja a lealdade eleitoral ao “pastor” da verba pública. É o verdadeiro milagre da multiplicação dos cargos, onde o dízimo é pago pelo contribuinte mato-grossense para sustentar a base de apoio de um projeto de reeleição que se confunde com a própria estrutura da igreja.
Para Rezende, a ALMT parece funcionar como uma extensão do templo, onde as orações são feitas em forma de decretos de nomeação e o “amém” é garantido pelo apoio político nos redutos religiosos. O deputado, que transita com desenvoltura entre o púlpito e a tribuna, mostra que sabe muito bem como usar o orçamento público para manter a “paz celestial” entre seus aliados. Resta saber se o eleitor verá nesse “cabide de orações” uma ajuda humanitária ou apenas mais um caso clássico de uso da máquina pública para fins de perpetuação no poder, onde o único pecado é ficar fora da folha de pagamento.
