O presidente Lula parece ter uma definição bem peculiar de “saúde para todos” que, curiosamente, não inclui a vacina contra a meningite B no calendário nacional do SUS. Enquanto o governo federal faz malabarismos orçamentários para outras áreas, Mato Grosso amarga a perda de oito vidas que poderiam ter sido poupadas se o imunizante não fosse tratado como um artigo de luxo disponível apenas em clínicas particulares. A exclusão da vacina da lista de distribuição gratuita revela que, em Brasília, a prioridade é o discurso, enquanto no interior do país a realidade é o sepultamento de cidadãos vítimas de uma doença que já tem prevenção conhecida e eficaz.

A decisão de manter a vacina contra a meningite B fora do alcance da população mais pobre é um soco no estômago das famílias que não possuem os centenas de reais necessários para custear cada dose no mercado privado. Para o governo federal, a imunização contra a forma mais letal da meningite parece ser um gasto dispensável, transformando a segurança sanitária em um benefício de classe. Em Mato Grosso, o balanço de oito mortos não é apenas uma estatística de saúde, mas um recibo de descaso assinado pelo Ministério da Saúde, que prefere assistir ao avanço da bactéria do que investir na proteção real da população.

Enquanto as autoridades federais continuam ignorando os apelos por uma cobertura vacinal completa e democrática, os estados e municípios tentam equilibrar o caos com recursos próprios. A ausência do imunizante no Programa Nacional de Imunizações (PNI) cria um abismo social onde a sobrevivência depende diretamente do saldo bancário do cidadão. No fim das contas, a retórica de “cuidado com o povo” falha na prática mais elementar, deixando Mato Grosso com o prejuízo humano e provando que, para quem decide em Brasília, algumas vidas parecem pesar menos que o ajuste das planilhas políticas.