O Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) abriu uma investigação minuciosa para apurar mais um rastro de graves irregularidades e provável dano ao erário na Secretaria de Estado de Educação (Seduc). O pente-fino da corte de contas mira um contrato milionário firmado pelo governo estadual para a aquisição de livros e materiais didáticos. O escândalo reside no fato de que os mesmos conteúdos e obras comprados a peso de ouro pela gestão pública de Mato Grosso já são fornecidos e doados de forma totalmente gratuita pelo Governo Federal, por meio do Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD).
A auditoria instaurada pelo tribunal tenta descobrir os reais motivos que levaram a Seduc a ignorar a remessa gratuita enviada pelo Ministério da Educação para gastar milhões dos cofres do Estado com uma empresa privada. Para os conselheiros do TCE-MT, a operação levanta suspeitas imediatas de duplicidade de gastos, desperdício deliberado de receita e favorecimento comercial. O caso surge no pior momento possível para o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) e para o seu padrinho político, o ex-governador e pré-candidato ao Senado, Mauro Mendes (União Brasil), que já enfrentam uma avalanche de cobranças sobre a qualidade e a transparência dos gastos públicos.
Nos bastidores políticos de Cuiabá, o avanço desta nova investigação do Tribunal de Contas desidrata ainda mais a narrativa de eficiência gerencial que o grupo governista tenta sustentar nas redes sociais. A compra redundante de materiais didáticos que o Estado poderia receber sem gastar um único centavo é vista por observadores como um tapa na cara do contribuinte e uma evidência de como a máquina pública foi loteada para atender a interesses de corporações parceiras. Confrontado com os dados técnicos da auditoria, o comitê de Pivetta entra novamente em modo de pane, vendo o discurso de austeridade fiscal ruir diante das evidências.
Com o presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo, mantendo a postura firme de fiscalizar cada contrato da atual administração, a investigação dos livros didáticos promete se transformar em mais uma tremenda dor de cabeça eleitoral para a chapa majoritária do Palácio Paiaguás. Sem justificativas técnicas plausíveis para explicar o motivo de pagar por algo que era de graça, os articuladores do governo assistem ao isolamento de Pivetta nas pesquisas de intenção de voto, enquanto o eleitorado descobre que, sob a maquiagem das propagandas oficiais, o dinheiro da educação rondonopolitana e mato-grossense estava sendo jogado no ralo.
