A corrida para o Senado Federal em Mato Grosso transformou-se em um campo de batalha marcado por ataques virulentos e forte hipocrisia política. O ex-governador e candidato ao Legislativo, Mauro Mendes (União Brasil), subiu o tom para rebater as críticas de seu principal adversário na disputa, Wellington Fagundes (PL), que havia defendido a paralisação das obras do complexo do Parque Novo Mato Grosso sob a alegação de gastos excessivos. Na tentativa de desidratar o rival, Mendes acusou Fagundes de “tomar remédio vencido”, estar alinhado à esquerda nacional e usar dinheiro do povo para realizar viagens de turismo ao exterior. O tiro verbal, contudo, fez o feitiço virar contra o feiticeiro.
Ao tentar posar como paladino da moralidade e do zelo com o erário, Mauro Mendes acabou tendo o próprio telhado de vidro exposto nos bastidores da campanha. O candidato ao Senado parece ter se esquecido de que seu nome foi arrastado para o centro do maior escândalo de corrupção que sacode todos os níveis de governo no Brasil. Conforme revelações que ganharam repercussão nacional, Mendes foi flagrado em Nova York participando de um jantar de gala nababesco que foi inteiramente custeado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master e pivô de um rombo bilionário que investigações apontam ter abastecido propinas e favorecimentos políticos por todo o país.
A contradição explícita foi capitalizada pela oposição, que aponta o cinismo do ex-governador ao cobrar austeridade alheia enquanto desfrutava de regalias internacionais oferecidas por um dos empresários mais investigados da atualidade. O episódio do jantar em solo americano com Vorcaro desmonta o discurso de independência política que Mendes tenta sustentar nos palanques do interior do estado. Para analistas políticos, a proximidade com o banqueiro — cujos anexos de delação premiada avançam como uma avalanche sobre líderes de diferentes partidos — coloca o candidato do União Brasil em uma posição de extrema vulnerabilidade jurídica e eleitoral na reta final da campanha.
Com o avanço das investigações sobre o esquema do Banco Master, a tentativa de focar o debate local em picuinhas partidárias ou na obra do Parque Novo Mato Grosso perdeu tração. O eleitorado mato-grossense agora acompanha o desdobramento de denúncias que conectam os principais nomes da política local a esquemas de lavagem de dinheiro e compadrio empresarial de alcance internacional. Enquanto Wellington Fagundes explora o desgaste da imagem de Mendes associada à “farra em Nova York”, o ex-governador se vê obrigado a abandonar a postura de ataque para tentar explicar o inexplicável, ciente de que a sombra de Daniel Vorcaro pode sepultar de forma definitiva as suas pretensões de alcançar uma cadeira no Congresso Nacional.
