A pacata fachada do Lar dos Idosos em Rondonópolis escondia um cenário que chocou até os policiais e agentes de saúde mais experientes da região Sul do estado. Em uma intervenção drástica de emergência, a prefeitura municipal foi obrigada a assumir o controle administrativo e operacional de um abrigo privado de idosos após uma fiscalização surpresa flagrar um quadro de abandono absoluto, desnutrição e maus-tratos generalizados. O ápice do horror foi a descoberta de residentes com feridas abertas e profundas (miíases) literalmente infestadas de larvas de mosca, evidenciando que a dignidade daquelas pessoas foi deixada para apodrecer em vida.

A operação de resgate foi deflagrada após denúncias anônimas apontarem que o local funcionava muito mais como um depósito humano que como uma instituição de acolhimento. Ao arrombarem as portas da negligência, as equipes de Vigilância Sanitária e da Secretaria de Assistência Social depararam-se com idosos confinados em ambientes insalubres, sem ventilação e exalando forte odor de dejetos. A administração do asilo, que teoricamente cobrava mensalidades para oferecer cuidados e carinho na terceira idade, parece ter esquecido que conceitos básicos de higiene e alimentação fazem parte do contrato.

Diante do flagrante de tortura por omissão, a prefeitura decretou intervenção imediata para salvar as vidas que restavam no local. Médicos e enfermeiros do município foram deslocados para realizar um mutirão de primeiros socorros nas próprias dependências do abrigo, realizando a limpeza cirúrgica das feridas e a remoção das larvas que consumiam a carne dos pacientes mais debilitados. Casos graves de desidratação severa e infecções generalizadas foram encaminhados às pressas para as unidades de pronto atendimento da cidade, enquanto os familiares eram notificados sobre o “padrão cinco estrelas” do local onde haviam deixado seus entes queridos.

O caso agora deixa as páginas da assistência social e entra com força total no boletim de ocorrência da Polícia Civil. O Ministério Público já foi acionado para abrir uma ação civil pública contra os proprietários e responsáveis técnicos pelo estabelecimento, que devem responder por crimes de maus-tratos majorados, abandono de incapaz e exposição do idoso a condições desumanas. Enquanto a prefeitura tenta higienizar o espaço e garantir o mínimo de dignidade aos sobreviventes da barbárie, a população de Rondonópolis assiste estarrecida à prova de que, para certos empresários do setor de cuidados, o lucro vale muito mais do que a vida de quem já não pode se defender.