Acossado pelas revelações da Operação Heritage e encurralado pelas medidas cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) abandonou a defensiva tradicional e partiu para o ataque frontal. Diante do impacto devastador da investigação conduzida pela Polícia Federal (PF) sob a relatoria do ministro Flávio Dino, o ex-gestor tenta a todo custo desesperado estancar a sangria política e salvar sua pré-candidatura ao Senado Federal.
Em novas declarações para tentar rebater o arcabouço de provas levantado pelos investigadores, Mendes sacou como escudo antigo pareceres administrativos, alegando que a bilionária transação de créditos tributários com a operadora de telefonia Oi passou pelo crivo de instituições fiscalizadoras do estado antes de ser homologada. Em tentativa de empurrar a responsabilidade para os órgãos de análise, Mauro cravou:
“Esse acordo com a Oi não foi feito às escondidas. Ele foi considerado legal, transparente e vantajoso para Mato Grosso por três órgãos de controle: a Procuradoria-Geral do Estado, a Controladoria-Geral e o Tribunal de Contas do Estado. Tudo seguiu o rito da lei.”
O movimento de retórica, contudo, ignora o cerne das acusações da PF e do STF. A investigação não questiona apenas a formalidade do papel passado pela PGE ou TCE, mas sim a celeridade recorde e atípica dada ao processo, o “calote” deliberado na fila constitucional dos precatórios e, principalmente, a irrigação financeira que canalizou dezenas de milhões de reais para fundos em cascata que tinham como beneficiários finais seus próprios familiares e aliados.
Sentindo o cerco se fechar sobre seu grupo político às vésperas da definição das urnas, Mauro reforçou a narrativa de vitimização para tentar inflamar seu eleitorado e desqualificar a ação da Polícia Federal:
“O que está acontecendo é uma armação descarada, um golpe eleitoral orquestrado por adversários que não conseguem nos vencer nas urnas e agora usam da estrutura para tentar assassinar minha reputação e golpear nossa candidatura.”
A reação colérica e o aumento da temperatura nos discursos escancaram o desespero do Palácio Paiaguás. Com a imagem severamente arranhada e o risco iminente de novos desdobramentos judiciais, Mauro Mendes vê o projeto de ocupar uma cadeira em Brasília ser tragado por um dos maiores escândalos de corrupção da história recente de Mato Grosso.
