Uma ação judicial movida por uma ex-empregada doméstica contra a empresária e lobista Roberta Luchsinger acabou gerando ruído e curiosidade nos bastidores jurídicos de Brasília. No processo que tramita na 10ª Vara Cível do Distrito Federal, a ex-funcionária Zildeni Gomes de Souza cobra o cumprimento da promessa de doação de uma casa avaliada em R$ 290 mil e, ao descrever o cotidiano da residência da ex-patroa no bairro nobre do Lago Sul, os advogados cometeram uma gafe ao qualificar Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, ora como “amigo”, ora como “marido” de Roberta.

Lulinha é casado há anos com Renata de Abreu Moreira, e a citação no processo decorre do fato de o filho do presidente da República ser frequentador assíduo e hóspede habitual da mansão mantida por Roberta Luchsinger quando está em Brasília. A relação de amizade entre as famílias é de longa data, com registros públicos de viagens conjuntas de férias. No entanto, a confusão do termo jurídico na petição acabou lançando holofotes sobre a rotina da residência mantida pela empresária, apontada pelas investigações da Polícia Federal como operador central no escândalo de intermediações com o “Careca do INSS”.

O processo cível é movido contra a empresa RL Consultoria e Intermediações S.A., administrada por Roberta. A ex-doméstica alega ter trabalhado durante anos para a empresária e afirma que a promessa da compra de um imóvel no Itapoã criou uma legítima expectativa frustrada após sucessivos adiamentos e pela repentina ruptura das negociações.

Embora o equívoco da petição não altere o mérito da disputa trabalhista e patrimonial entre a doméstica e a ex-patroa, o documento expõe a forte proximidade e o trânsito livre de Lulinha nas estruturas mantidas pela lobista na capital federal. O detalhamento do convívio doméstico ganha peso num momento em que a Polícia Federal devassa justamente os negócios, viagens e favores trocados no entorno da empresária e do filho do presidente.