A conhecida sanha protecionista de Washington ganhou contornos de piada de mau gosto nos bastidores da geopolítica econômica. Sob o pretexto de combater o aquecimento global e conter o desmatamento florestal, setores do governo e do legislativo dos Estados Unidos articulam propostas abusivas para sobretaxar produtos brasileiros. A ofensiva adota uma retórica de falsa preocupação ecológica para tentar minar a competitividade do agronegócio e das exportações nacionais. Para deixar o cenário ainda mais patético, até a eficiência tecnológica do sistema Pix entrou na mira de debates absurdos que tentam associar a facilidade das transações digitais ao financiamento de atividades irregulares na Amazônia.
A engenharia por trás dessa pressão internacional ferve nos gabinetes democratas e republicanos, que parecem incapazes de aceitar o protagonismo do Brasil no abastecimento global de alimentos. Ao criarem critérios ambientais unilaterais e extremamente convenientes, os norte-americanos tentam impor um pedágio financeiro sobre a carne, a soja e a madeira brasileiras, enquanto suas próprias indústrias continuam figurando entre as maiores emissoras de poluentes do planeta. A ameaça de sanções e impostos de fronteira baseados em pegada de carbono nada mais é do que uma tentativa descarada de sufocar a balança comercial de países em desenvolvimento que ameaçam a liderança econômica deles.
Nos comitês do agronegócio em Mato Grosso e no coração produtivo de Rondonópolis, o ensaio de boicote promovido pelos Estados Unidos é recebido com indignação e absoluto deboche por lideranças do setor. Produtores locais apontam que a legislação ambiental brasileira é uma das mais rigorosas do mundo, muito superior à dos próprios críticos estrangeiros, que já devastaram suas florestas nativas há séculos. A tentativa de associar a agilidade bancária do Pix a crimes ambientais é decodificada como desespero comercial diante de uma ferramenta financeira que humilha o arcaico sistema de transferências norte-americano.
Com o Itamaraty e o Ministério da Agricultura sendo emparedados para dar uma resposta firme a essas ameaças tarifárias, a diplomacia brasileira entra em fase de alerta máximo para evitar que o protecionismo disfarçado de virtude ecológica cause prejuízos bilionários ao país. A insistência de Washington em usar a Amazônia como um eterno espantalho fiscal mostra que a guerra comercial moderna não se faz mais apenas com tarifas alfandegárias tradicionais, mas sim com narrativas cínicas de salvação do planeta. O fato concreto é que, por trás de todo o discurso bonito de proteção ambiental, o que o Tio Sam realmente quer é garantir que as empresas americanas não percam espaço para a eficiência do produtor brasileiro.
