O mercado financeiro brasileiro acaba de ganhar um capítulo que faria qualquer roteirista de série policial ter inveja da realidade. O Banco Master, que até pouco tempo atrás ostentava um nome de imponência, provou ser “mestre” em uma modalidade nada convencional: a de abrir as portas do sistema bancário para o dinheiro sujo do Primeiro Comando da Capital (PCC). A investigação aponta que a aquisição do Banco Pleno (o antigo Voiter) não passou de uma jogada de mestre — ou melhor, de facção — para permitir que a maior organização criminosa do país operasse em fundos de investimento com o verniz de legalidade que só o colarinho branco consegue proporcionar.

O “passo a passo” da promiscuidade financeira envolve a gestora Reag, que atuou como braço direito nessa transação bilionária sob suspeita. Enquanto o Banco Central dormia no ponto — ou fingia não ver o óbvio —, cifras astronômicas circulavam entre laranjas e empresas de fachada, conectando o narcotráfico diretamente ao coração da Faria Lima. Para Daniel Vorcaro, o mentor por trás dessa engenharia de sombras, o resultado foi a transição do terno sob medida para o figurino padrão do sistema prisional paulista, onde agora ele ostenta o “visual raspado” que as fotos da polícia fazem questão de registrar.

A ironia trágica desse episódio é ver como a “defesa da democracia” e o rigor das instituições, tão pregados em Brasília, parecem não ter alcance quando o assunto é o fluxo de caixa do crime organizado dentro de bancos liquidados. No fim das contas, o Banco Master entregou o que prometia: uma gestão “plena” de irregularidades que custaram bilhões ao mercado, provando que, no Brasil, a diferença entre um banqueiro e um faccionado muitas vezes é apenas a agência onde eles lavam a alma — e o dinheiro.