O ministro Carlos Fávaro (PSD) parece ter descoberto, da maneira mais amarga possível, que ser o dono da caneta no Ministério da Agricultura não garante colheita de votos em terra arrasada. Em um movimento que mistura inabilidade política com um ego que não cabe no gabinete, Fávaro conseguiu a proeza de ficar ilhado: a direita bolsonarista o trata como traidor e a esquerda petista, liderada pela ala de Rosa Neide, o vê como um corpo estranho que só serve para atrair desgaste. O resultado desse “balaio de gatos” é um ministro que tem cargo, tem orçamento, mas não tem um grupo político para chamar de seu em Mato Grosso.

O “passo a passo” dessa queda livre revela um político que apostou todas as suas fichas em uma aliança com o PT que nunca passou de um casamento de conveniência — e que agora caminha para um divórcio litigioso antes mesmo da campanha começar. Enquanto Fávaro tenta forçar a barra para emplacar nomes como Pedro Taques na suplência ou manter sua influência na federação, os caciques do Partido dos Trabalhadores já deixaram claro que preferem o risco da derrota isolada ao abraço de afogados com o ministro. A ironia trágica é que, para quem se vendeu como o grande articulador do agronegócio junto a Lula, Fávaro hoje não consegue articular sequer uma reunião de condomínio sem sair questionado.

No fim das contas, a reeleição de Fávaro ao Senado em 2026 tornou-se um projeto de ficção científica. Sem o apoio da base governista estadual e sendo sabotado internamente pelos próprios aliados de federação, o ministro assiste ao fortalecimento de nomes como Wellington Fagundes no PL, enquanto ele próprio se torna o “rejeitado” oficial da temporada. O sarcasmo do destino é que, para quem “trabalha muito” e não tem tempo para o TikTok, Fávaro terá agora todo o tempo do mundo para refletir sobre como o poder em Brasília é volátil quando se esquece de cultivar a base no próprio quintal.