A corrida sucessória para o comando de Mato Grosso ganhou contornos de forte turbulência para o núcleo duro do Palácio Paiaguás. Uma nova pesquisa realizada no município de Barra do Garças — considerado o principal polo político e econômico da região do Araguaia — revelou um cenário de isolamento técnico e desidratação eleitoral para o atual governador Otaviano Pivetta (Republicanos). Enquanto o senador Wellington Fagundes (PL) desponta como o líder absoluto na preferência dos eleitores locais, alcançando expressivos 50,4% das intenções de voto, Pivetta, que assumiu a cadeira de governador após a renúncia de seu antecessor, amarga a quarta colocação no levantamento, registrando apenas 5,4%.

O resultado acendeu o sinal de alerta nos bastidores do governo por evidenciar que a popularidade e o forte capital político do ex-governador Mauro Mendes (União) não estão sendo transferidos de forma automática para o seu aliado. Essa desconexão fica escancarada quando os dados para o Senado Federal são colocados lado a lado com os números para o governo. Na disputa pela primeira vaga ao Senado, Mauro Mendes lidera com folga e atinge massivos 61% das intenções de voto no Araguaia, abrindo uma vantagem esmagadora sobre a deputada Janaina Riva (MDB), que aparece com 17,4%. Contudo, esse mesmo eleitor que aprova o projeto de Mendes para o Senado rejeita a continuidade do grupo sob o comando de Pivetta, deixando o atual governador com um desempenho tímido e abaixo de dois dígitos.

A desidratação do projeto de Otaviano Pivetta fica ainda mais evidente ao constatar que ele foi superado por lideranças que sequer oficializaram uma pré-campanha ao governo. O presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi (Podemos), aparece consolidado na segunda posição com 25,8% das intenções de voto — quase cinco vezes a pontuação do governador —, impulsionado pela força de seu reduto eleitoral na região. Já o senador Jayme Campos (União), que vem travando uma batalha de bastidores contra o grupo palaciano para viabilizar sua candidatura, surge em terceiro lugar com 10,6%. Para analistas políticos, o eleitor de Barra do Garças soube separar nitidamente a figura de Mauro Mendes do atual chefe do Executivo, punindo Pivetta no rastro de recentes declarações polêmicas que geraram forte repercussão negativa e desgaste direto junto a lideranças da sociedade do Araguaia.

O consolidador cenário projeta Wellington Fagundes em uma posição altamente confortável, sustentando uma vantagem de 24,6 pontos percentuais sobre o segundo colocado na região. O resultado do estudo — que ouviu 500 eleitores com margem de erro de 4,3 pontos e 95% de nível de confiança — deixa claro que a permanência no poder em Mato Grosso está longe de ser um jogo de cartas marcadas ou de continuidade automática, obrigando o grupo governista a reavaliar urgentemente as estratégias de articulação se quiser evitar uma derrota acachapante nos principais colégios eleitorais do interior do estado.