A pirataria terrestre em Mato Grosso parece ter batido de frente com um bloqueio que não aceita propina nem amadorismo. Criada com a missão quase hercúlea de limpar as rotas de escoamento do estado, a Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Cargas (DERFC) apresentou um relatório de 2025 que é música para os ouvidos do setor logístico e um pesadelo para quem vive de “atravessar” a carga alheia. A redução de 41% nos roubos de carga não é apenas um número estatístico; é o atestado de que, quando a polícia deixa de apenas correr atrás do prejuízo para investigar a estrutura do crime, o lucro dos bandidos desce pelo ralo.

O projeto, que nasceu da articulação do deputado e presidente da Assembleia, Max Russi, provou ser o divisor de águas que o agronegócio implorava. Em vez de viaturas perdidas em rodovias infinitas, a especialização trouxe o cruzamento de dados e a antecipação. O resultado é uma queda global de 11% nos crimes contra o transporte, mostrando que a caneta do parlamentar e o distintivo do delegado Mário Santiago formaram uma parceria que realmente “encareceu o frete” para o lado da criminalidade. É a resposta técnica vencendo a força bruta, transformando o que antes era um território livre para saqueadores em um eixo monitorado e hostil aos grupos organizados.

No entanto, o Raio-X do crime ainda aponta para cicatrizes abertas, especialmente em Rondonópolis, que continua liderando o ranking de ocorrências como o ponto mais crítico da logística estadual. Com mais de 50% dos alvos sendo cargas de grãos e fertilizantes, os criminosos mostram que ainda têm fome pela riqueza que sai das nossas lavouras. O alerta agora migra para os furtos — o crime da oportunidade, do caminhoneiro que descansa. Enquanto Max Russi celebra os índices de violência em queda, o próximo passo da segurança pública terá que ser tão afiado quanto uma picareta para coibir o furto silencioso. O asfalto está mais seguro, mas a vigilância não pode dar carona para a autocomplacência.