Enquanto o cidadão comum acredita que as grades servem para isolar a periculosidade, o Comando Vermelho (CV) em Mato Grosso segue operando no regime de “home office” prisional. José Elggy Alves Silva, o “Meia-Noite”, um veterano com mais de 18 anos de condenação nas costas, demonstrou que a Penitenciária Central do Estado (PCE) não é obstáculo para a sua gestão de “disciplina”. De dentro da cela, ele ditou o roteiro macabro para o fim de Patrick de Oliveira Lucas, de 26 anos, que teve o azar de ser rotulado como “cagueta” pelos burocratas do crime organizado.

O passo a passo da barbárie é um soco no estômago de quem ainda espera por segurança pública. Patrick foi sequestrado após sair para comer um simples espetinho e levado para uma área de mata onde o “serviço” já estava encomendado. Em uma cena de sadismo absoluto, o jovem foi obrigado a se ajoelhar dentro da própria cova antes de receber quatro golpes de picareta na cabeça. A crueldade não é novidade no currículo de Meia-Noite: o sujeito já é conhecido por ordenar que uma adolescente tivesse a língua cortada, confirmando que o seu método de gestão preza pelo silêncio — seja por morte ou por mutilação.

A Polícia Civil conseguiu prender um adulto e apreender um menor envolvidos na execução, mas o verdadeiro mandante continua onde sempre esteve: sob a custódia do Estado, mantendo sua influência intacta. O episódio deixa o recado sarcástico e amargo de que, em Mato Grosso, o crime não compensa apenas se você for amador; se for “disciplina” da facção, o Estado garante a hospedagem enquanto você continua decidindo quem vive e quem morre lá fora. A cova rasa de Patrick é apenas mais um lembrete de que, entre picaretadas e decretos prisionais, a lei que impera no interior ainda é escrita com sangue.