A Polícia Federal (PF), em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público, deflagrou nesta manhã de terça-feira (25) a Operação Successione, a quarta fase de uma investigação que visa desmantelar um sofisticado esquema de exploração ilegal de jogos de azar e jogo do bicho, com ramificações em Mato Grosso do Sul, Paraná, Goiás e Rio Grande do Sul. O destaque da operação é a prisão do ex-deputado estadual Roberto Razuk, de 84 anos, apontado como um dos patriarcas do poder paralelo no Mato Grosso do Sul e líder do esquema de jogos ilegais na região de Dourados. Além de Razuk, foram alvos de mandados de prisão e busca e apreensão familiares do deputado estadual Neno Razuk (PL), incluindo seus irmãos, e Marco Aurélio Horta, chefe de gabinete do parlamentar. A operação cumpre 20 mandados de prisão e 27 de busca e apreensão.
O envolvimento do chefe de gabinete de um deputado do PL no Mato Grosso do Sul tem forte ressonância em Mato Grosso, expondo a conexão do crime organizado com a classe política e o setor público, e reforçando a tese do Ministério Público de que o grupo contava com a proteção e o silêncio de agentes públicos. A Operação Successione, cujo nome remete à disputa pela sucessão no controle do jogo do bicho após a queda de outros grupos criminosos, mira a descapitalização de uma organização armada e violenta que usava policiais militares da reserva como “gerentes” para impor o controle sobre o jogo ilegal.
