A Polícia Civil de Mato Grosso (PJC-MT) deflagrou na manhã desta quarta-feira (3) a Operação Efatá, uma investida de grande porte contra um esquema criminoso de lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 295 milhões oriundos do tráfico de drogas. A ação, conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc), demonstrou que o crime organizado atingiu a “elite” local. Um dos principais alvos da operação, o advogado Rodrigo da Costa Ribeiro, foi preso em flagrante dentro de um condomínio de luxo em Cuiabá. A prisão ocorreu durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão. Além de ser investigado por integrar o esquema de lavagem de capitais, o advogado foi autuado por posse ilegal de arma de fogo, após os policiais localizarem uma pistola 9mm e munições em seu apartamento.

A operação é de grande escala e busca desmantelar a estrutura financeira da facção, que utilizava empresas de fachada e contas de laranjas em Mato Grosso (Cuiabá, Várzea Grande, Água Boa, Sinop e Primavera do Leste) e em Mato Grosso do Sul para dar aparência de legalidade aos milhões do tráfico. A investigação aponta que a organização criminosa possuía um núcleo financeiro sofisticado. O delegado da Denarc destacou que o alto volume de dinheiro movimentado por apenas um dos alvos da investigação (cerca de R$ 295 milhões) demonstra a robustez da máfia da lavagem. As ordens judiciais expedidas incluem o bloqueio de R$ 41,2 milhões, o sequestro de imóveis e de 15 veículos de luxo.

O nome da operação, “Efatá”, tem origem bíblica (do aramaico, usada no Evangelho de Marcos) e significa “Abre-te” ou “Abra-se”. A Polícia Civil escolheu o termo para simbolizar a intenção de abrir a caixa-preta da lavagem de dinheiro do tráfico de drogas em Mato Grosso. Ao utilizar a referência, a corporação reforça que o foco é revelar a estrutura oculta que dava suporte financeiro às facções, expondo os “barões do pó” que se escondiam atrás de CNPJs e imóveis de luxo.