O terremoto político provocado pela colaboração premiada do banqueiro Daniel Vorcaro ganhou ramificações de alta voltagem que ameaçam implodir pontes partidárias e alianças estratégicas tanto na oposição quanto na base governista. De acordo com informações exclusivas reveladas pelo jornalista Igor Gadelha, no portal Metrópoles, a nova proposta de delação apresentada pelo ex-controlador do Banco Master à Procuradoria-Geral da República (PGR) incluiu anexos explosivos que citam nominalmente o presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, e a cúpula do Partido dos Trabalhadores (PT) na Bahia, estado considerado o principal reduto eleitoral da legenda.

Os novos relatos de Vorcaro, que foram reestruturados para garantir a homologação do acordo após a rejeição da primeira versão pelas autoridades, apontam para um suposto esquema de favorecimento financeiro e repasses camuflados. No capítulo que envolve Antonio Rueda, o banqueiro detalhou transações que, segundo os investigadores, visavam garantir a interlocução e o trânsito do Banco Master com a robusta bancada do União Brasil no Congresso Nacional. A revelação coloca uma das principais lideranças partidárias do país no olho do furacão, em um momento em que a legenda negocia cargos e tenta consolidar palanques majoritários para os próximos pleitos.

O alcance da delação, contudo, cruzou as fronteiras ideológicas e atingiu em cheio o núcleo duro do petismo nordestino. Daniel Vorcaro forneceu datas, rotas de entrega e notas fiscais de operações que teriam abastecido o caixa político do PT da Bahia em campanhas passadas. O diretório baiano, que governa o estado consecutivamente e abriga ministros de destaque do governo federal, passa a ser investigado sob a suspeita de lavagem de dinheiro e recebimento de vantagens indevidas por meio de contratos simulados com prestadores de serviços ligados ao banco liquidado.

A entrada de Rueda e do PT baiano no tabuleiro da delação muda o patamar das investigações conduzidas pela Polícia Federal, que até então focavam majoritariamente no senador Ciro Nogueira (PP-PI). Ao mirar simultaneamente o comando de um dos maiores partidos de centro-direita e o coração financeiro do partido do presidente da República, Vorcaro tenta demonstrar aos procuradores da PGR que seu acervo de provas tem caráter sistêmico e suprapartidário. Enquanto os advogados dos citados correm para ter acesso aos termos sigilosos e desqualificar as acusações, os bastidores de Brasília entram em modo de contenção de danos, temendo o surgimento de provas materiais que transformem os depoimentos em futuras denúncias criminais.