O senador Wellington Fagundes (PL-MT) não poupou saliva nem adjetivos na última reunião da Comissão Mista de Orçamento (CMO) nesta sexta-feira (19). Em um tom que misturou indignação técnica com uma dose cavalar de realismo político, o parlamentar desenhou um cenário apocalíptico para a infraestrutura de Mato Grosso. Enquanto o Governo Federal parece ter o pé pesado no acelerador da gastança em outras áreas, o orçamento do DNIT para 2026 entrou em uma ladeira abaixo sem freios. Wellington expôs que o setor enfrentará uma redução drástica de 32,6% em relação ao ano passado e um corte humilhante de quase 60% se comparado a 2024. Para o senador, a conta é simples e cruel: menos asfalto significa mais prejuízo logístico e, infelizmente, mais caixões encomendados nas estradas.

A crítica de Wellington mirou direto na ferida aberta das rodovias que são as veias abertas do agronegócio nacional. Ele citou o descaso com a BR-158, no Vale do Araguaia, onde o contorno da Terra Indígena Marãiwatsédé continua sendo uma promessa que não sai do barro por falta de verba. O senador também “pontuou” que obras vitais, como os contornos de Barra do Garças e de Cuiabá, além de trechos estratégicos das BRs 158 e 242, estão recebendo migalhas que mal dão para tapar os buracos, quanto mais para concluir as duplicações e adequações necessárias. Com apenas 12% da malha nacional pavimentada, Wellington ironizou a lógica de Brasília de tratar infraestrutura como “gasto”, lembrando que o custo econômico dos acidentes já bateu na casa dos R$ 149 bilhões — dinheiro que poderia ter pavimentado o Brasil de ponta a ponta.

Como presidente da Frente Parlamentar de Logística (Frenlogi), Fagundes fez um apelo de última hora antes que o martelo do Orçamento seja batido no plenário. Ele defende que o país precisa de R$ 250 bilhões para não colapsar, mas o que vê é uma gestão que prefere contingenciar o progresso enquanto mantém a máquina pública inchada. O recado para o relator-geral foi claro: sem o atendimento das emendas de bancada para Mato Grosso, o estado que carrega o PIB do Brasil nas costas continuará sendo castigado com rodovias pré-históricas. No fim das contas, Wellington deixou a CMO com o alerta de que investir em estrada não é luxo, é sobrevivência, e que o “apagão” de investimentos prometido para 2026 pode ser o maior obstáculo para o futuro do estado.