O prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira (PL), parece ter decidido que a melhor forma de governar é encolher a máquina para esticar o orçamento. A ampla reorganização administrativa promovida neste primeiro ano de mandato, que resultou na criação da “supersecretaria” de Administração, Gestão e Inovação, já apresentou um cartão de visitas de dar inveja: uma economia de mais de R$ 2 milhões aos cofres públicos. Ao fundir as antigas pastas de Administração, Gestão de Pessoas e Ciência e Tecnologia, o Paço Municipal não apenas cortou cargos e burocracia, mas deu agilidade a um governo que quer parecer moderno e digital.
O “xerife” dessa transformação é Luciano Rodrigues, um gestor vindo do setor privado que aplicou a lógica das planilhas empresariais no serviço público. Sob sua batuta, o governo tirou do papel projetos “pop-tech” como o aplicativo Na Palma da Mão, o rastreador de ônibus Cadê Meu Busão e a instalação de Wi-Fi gratuito em feiras e unidades de saúde. Mas a grande jogada política e econômica de Rodrigues — e que serve de munição para o discurso de Cláudio — foi o fim do contrato de manutenção de ar-condicionado. Antes, o serviço era executado por uma empresa do Rio de Janeiro que levava embora R$ 5 milhões da cidade. Agora, com o modelo de credenciamento do projeto Tudo em Casa, o dinheiro fica com os prestadores de serviço da própria Rondonópolis, fortalecendo o comércio local e o discurso de “prioridade aos nossos”.
Além da economia direta, a nova secretaria tem focado na valorização do servidor e em programas sociais como o Meu Primeiro Trampo, tentando equilibrar a imagem de gestão técnica com a de braço social. Para o secretário Luciano Rodrigues, o resultado é a prova de que a modernização não é apenas um discurso bonito de campanha, mas uma necessidade matemática para quem quer entregar resultados sem estourar o limite de gastos. Com a máquina azeitada e o “vício” de contratos interestaduais rompido, Cláudio Ferreira consolida um modelo de gestão que prioriza a eficiência interna para tentar converter economia em votos e aprovação popular.
