A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), parece ter adotado o sistema de “test-drive” para o seu primeiro escalão. Com a oficialização da saída de Andrea Carolina Melo de Oliveira da Secretaria de Governo nesta sexta-feira (19), a gestora atingiu a marca impressionante de 15 mudanças no staff em apenas 11 meses de mandato. O ritmo de exonerações é tão intenso que os crachás dos secretários mal têm tempo de esfriar antes da próxima “degola” administrativa, transformando o Palácio Couto Magalhães em um cenário de instabilidade permanente.

O capítulo mais recente dessa novela política, no entanto, carrega uma dose extra de ironia e veneno. Para tentar apagar o incêndio na articulação com a Câmara Municipal, Moretti buscou socorro justamente no “quintal” do seu principal adversário. A nomeação de Silvio Fidelis — que foi o homem forte da Educação nas gestões de Lucimar Campos e Kalil Baracat — como o novo guru do governo caiu como uma bomba no Partido Liberal. O presidente estadual da sigla, Ananias Filho, não escondeu o desgosto e declarou estar “envergonhado” com a escolha, vendo a movimentação como uma rendição técnica aos métodos do grupo que a prefeita jurou combater durante a campanha.

Enquanto a prefeita justifica as trocas como “ajustes estratégicos” e “perfil técnico”, os bastidores fervem com a saída recente da tenente-coronel Emirella Martins da Chefia de Gabinete e do secretário de Desenvolvimento Econômico, Mário Quidá. A sensação no cenário político várzea-grandense é de que ninguém está seguro na cadeira. Se a intenção era mostrar autoridade com a caneta, Flávia Moretti conseguiu, mas ao custo de um isolamento político que agora a obriga a importar soluções de seus antigos rivais, para o desespero da militância bolsonarista que esperava uma gestão “puro-sangue”.