O clima de “paz e amor” do Palácio do Planalto foi estilhaçado na manhã desta sexta-feira (19) pelo barulho dos protocolos na CPMI do INSS. O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), não perdeu tempo e, aproveitando o rastro de pólvora deixado pela nova fase da Operação Sem Desconto da Polícia Federal, oficializou o pedido de convocação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. O herdeiro presidencial, que trocou o calor brasileiro pela brisa de Madri, agora é o centro de um furacão que investiga como a “sorte nos negócios” da família parece sempre cruzar o caminho de órgãos públicos — desta vez, o sofrido INSS.
O que era apenas suspeita da oposição ganhou contornos de relatório policial: documentos da PF mencionam pagamentos de R$ 300 mil mensais feitos por Antônio Carlos Camilo Antunes, o famigerado “Careca do INSS”, que seriam destinados ao “filho do rapaz”. A trama envolve ainda a amiga próxima de Lulinha, Roberta Luchsinger, que teria servido como ponte para a movimentação de valores e gestão de contas no exterior. Enquanto os aposentados brasileiros penam nas filas, a investigação sugere que o lobby do filho do presidente estaria azeitado para negócios que iam de consultorias em Portugal até a venda de produtos à base de cannabis, tudo financiado, supostamente, com o suor dos segurados da previdência.
Nos bastidores da CPMI, a base governista, que vinha conseguindo blindar a família real do PT, agora assiste ao desmoronamento da barreira de contenção. O próprio presidente Lula, em um movimento de “quem não deve não teme” para as câmeras, afirmou que ninguém será poupado, nem mesmo o próprio filho, se houver culpa. Resta saber se Lulinha terá o mesmo desprendimento para trocar a Espanha pelo banco de depoentes em Brasília ou se a “estratégia jurídica” será tão criativa quanto os seus negócios. Por enquanto, o título de “fenômeno dos negócios” volta a assombrar o governo, provando que em Brasília, algumas heranças nunca deixam de render dividendos políticos — ou criminais.
