O mercado financeiro e a segurança pública do Brasil foram abalados nesta terça-feira (18) pelo colapso do Banco Master e pela prisão de seu principal acionista. O Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial da instituição e da Master S.A. Corretora de Câmbio, encerrando de forma abrupta a trajetória de um banco que cresceu emitindo papéis de alto risco. Quase simultaneamente, a Polícia Federal (PF) prendeu o dono e presidente do banco, Daniel Vorcaro. A prisão ocorreu na noite anterior, no Terminal Executivo do Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, em uma aparente tentativa de fuga para Malta.

Daniel Vorcaro foi preso no aeroporto

A operação da PF, batizada de Compliance Zero, investiga a suposta emissão de títulos de crédito falsos e fraudes por instituições financeiras no Sistema Financeiro Nacional, com acusações de gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa. As investigações, iniciadas em 2024, revelaram que o Master emitia títulos garantidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), pagando juros muito acima do mercado e investindo em ativos de baixa liquidez. O BC já havia negado a compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB) e, diante da insolvência e da prisão do presidente, decretou a liquidação, encerrando qualquer possibilidade de avanço em negociações de venda.

A operação também resultou na prisão de Augusto Lima, vice-presidente do Master, e no afastamento do presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, que se tornou alvo de busca e apreensão por suspeita de participação em crimes financeiros na negociação de venda de carteiras de crédito falsas ao banco estatal. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) foi acionado para ressarcir os correntistas e investidores em CDBs com valores de até R$ 250 mil. O caso coloca o setor financeiro em alerta e reforça a fiscalização sobre instituições que operam com modelos de alto risco.


A prisão do banqueiro Daniel Vorcaro expôs como o empresário utilizava o poder econômico e a extravagância para construir uma rede de influência em Brasília. Sua estratégia de ascensão se baseava justamente na ostentação: é notório o gasto de cerca de R$ 15 milhões na festa de 15 anos da filha, um evento que atraiu a presença de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e outras figuras da cúpula do poder, o que reforçava seu acesso à elite política e judiciária. O empresário é apontado por fontes jornalísticas como tendo laços com figuras proeminentes do Centrão, como o ex-ministro Ciro Nogueira e o presidente da União Brasil, Antônio Rueda. Essa teia de relações, que permitia a Vorcaro transitar livremente entre diferentes esferas do governo, é a que teria dado a ele a margem de manobra para operar o modelo de negócios de alto risco e se envolver em negociações sensíveis, como a tentativa frustrada de venda de títulos ao BRB, sob suspeita de fraude. Em suma, o caso é uma exposição de como a alta esfera do capital utiliza conexões políticas para obter vantagens.