A um ano das eleições gerais de 2026, o cenário político em Mato Grosso ferve com articulações partidárias e pesquisas que apontam para uma corrida imprevisível pelo governo estadual.
Governado atualmente por Mauro Mendes (União Brasil), o estado – potência do agronegócio e com economia aquecida pelo PIB agropecuário – vive um tabuleiro fragmentado, onde a base governista busca sucessão interna, enquanto oposicionistas de centro-direita e direita conservadora disputam espaço. Com nove pré-candidatos na majoritária, incluindo disputas para as duas vagas no Senado, o pleito promete polarização e possível segundo turno.
A Herança de Mauro Mendes: Pivetta como Favorito da Base, mas com Apoio de Bolsonaro
Mauro Mendes, que encerra seu mandato em dezembro de 2026, já sinaliza saída para disputar o Senado Federal, onde lidera as pesquisas com folga (37,8% das intenções de voto, segundo o Instituto Percent Brasil, de agosto).
Sua indicação clara é o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos), a quem elogiou publicamente como “o melhor preparado para continuar o trabalho”. Pivetta, que assumirá interinamente o governo em abril de 2026 caso Mendes renuncie, ganhou fôlego recente com o apoio explícito do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), anunciado na última semana. “É uma honra”, reagiu Pivetta, que vê no bolsonarismo uma ponte para o eleitorado rural e conservador, majoritário no estado.
A aprovação da gestão Mendes gira em torno de 50% (Paraná Pesquisas, maio), impulsionada por investimentos em infraestrutura e segurança, mas criticada por opositores por supostas alianças oportunistas com o PL. A executiva estadual do União Brasil, no entanto, debate uma candidatura própria, o que poderia rachar a base. “Não há necessidade de apoiar Pivetta; a disputa pode ir ao segundo turno”, defendeu o deputado Júlio Campos, ecoando divisões internas.
Oposição em Empate Triplo: Janaína Riva e Wellington Fagundes na Luta
Pesquisas recentes do Paraná Pesquisas (maio) revelam um empate técnico triplo na intenção de voto estimulada: Janaína Riva (MDB), deputada estadual e filha do ex-deputado José Riva; Wellington Fagundes (PL), senador experiente; e Pivetta, todos na casa dos 25-30% das preferências, dentro da margem de erro de 2,5 pontos.
Riva, com forte base no MDB e apelo feminino no interior, surge como azarão progressista, mas com rejeição baixa. Fagundes, por sua vez, aposta no PL para mobilizar o agro e o bolsonarismo moderado, apesar de críticas passadas por alianças com o PT – apelidado de “melancia” (verde por fora, vermelha por dentro) por rivais da extrema-direita.
Outros nomes agitam os bastidores: o senador Jayme Campos (União Brasil), que pode migrar para o governo se Mendes priorizar o Senado; o deputado federal José Medeiros (PL), bolsonarista raiz; e o ex-governador Pedro Taques, sem partido definido. Empresários como Odílio Balbinotti (agro) foram cogitados, mas recuaram. No campo da esquerda, o PT discute federações com PCdoB e PV para lançar nomes ao Senado, como o ministro Carlos Fávaro (PSD), mas o governo estadual segue distante do lulismo, com Lula aparecendo atrás em simulações presidenciais locais (32,2% contra 24% de Tarcísio de Freitas, segundo IDOC, outubro).
Desafios e Tendências: Da Economia ao Bolsonarismo em Queda
O calendário eleitoral, aprovado pelo TRE-MT em outubro, prevê convenções partidárias em julho de 2026 e campanha a partir de agosto. Fatores como a inflação controlada no agro e investimentos em rodovias favorecem a continuidade, mas denúncias de corrupção em obras públicas e a polarização nacional – com o bolsonarismo enfraquecido pela prisão domiciliar de Bolsonaro – podem equilibrar o jogo. “A extrema-direita se une à direita, mas o eleitorado indeciso (20-30%) será decisivo”, analisa o jornalista Enock Cavalcanti.
Analistas preveem segundo turno entre Pivetta e um nome do MDB ou PL, com o Senado como fiel de balança: Mendes deve herdar uma vaga, abrindo espaço para alianças. Em um estado onde 55% do eleitorado se diz conservador, a disputa reflete o Brasil dividido: continuidade versus renovação, com o agro como pivô. Até outubro de 2026, as federações partidárias e fusões de palanques ditarão o ritmo – e o vencedor do Palácio Paiaguás.
