A guerra silenciosa travada pelos produtores rurais contra os nematoides — pragas microscópicas que destroem as raízes e sabotam a produtividade no campo — ganhou um rastro de forte articulação institucional. Durante dois dias de intensos debates de bastidores, a cidade de Sorriso transformou-se no quartel-general da fitossanidade brasileira ao sediar o Seminário Nacional para Controle de Nematoides. Organizado pelo Grupo Regional de Estudos em Nematologia de Mato Grosso (GREN MT), em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e a Sociedade Brasileira de Nematologia (SBN), o encontro selou as primeiras diretrizes técnicas para a criação de um Plano Nacional de Defesa, desenhado para estancar o desarranjo financeiro que faz o país perder o equivalente a uma safra e meia a cada dez anos.

O rastro de destruição deixado pelos parasitas na soja, no milho e no algodão forçou o comitê de especialistas a adotar medidas severas e padronizadas. Sob a liderança da presidente do GREN MT, Tatiane Zambiasi, ficou definida a criação de um manual padrão de amostragem de solo e a proposta de um selo de âmbito nacional para certificar as metodologias laboratoriais. A engenharia do plano visa acabar com a cortina de fumaça da falta de critérios técnicos unificados, que hoje dificulta a avaliação correta de cultivares e genótipos resistentes, deixando as lavouras vulneráveis ao ataque severo das pragas no interior do estado.

Nos bastidores do Governo Federal, a movimentação é vista como uma política pública viva e de urgência máxima para a sustentabilidade da balança comercial. O Superintendente Federal do MAPA em Mato Grosso, Edson Paulino de Oliveira, destacou que a cooperação cirúrgica entre o Ministério e a iniciativa privada é a única ferramenta viável para solucionar o problema de forma definitiva. Quase simultaneamente, a presidente da SBN, Andressa Machado, revelou que o rastro desse modelo mato-grossense será estendido para as regiões Norte, Nordeste e Sul do país, captando as demandas locais para blindar o território nacional contra a dispersão biológica de lavouras contaminadas.

A pauta técnico-científica travou o avanço de gargalos críticos e mirou no controle de dispersão por meio da limpeza obrigatória de máquinas e sementes, além de estabelecer regras para a prevenção da resistência das pragas aos nematicidas químicos. Outro ponto de forte fervura e discussão de comitê foi a regulamentação da produção on-farm (dentro das fazendas) de bionematicidas, um mercado em franca expansão que exige fiscalização para evitar contaminações. Com o encerramento do seminário em plenária de votação, o rastro de propostas agora segue carimbado para Brasília, provando que o agronegócio de Mato Grosso assumiu o protagonismo para fechar o cerco contra o inimigo invisível do solo.