O debate sobre os gargalos logísticos e a expansão da malha ferroviária em Mato Grosso ganhou novos capítulos de forte tensionamento político no Congresso Nacional. O deputado federal José Medeiros (PL) disparou duras críticas públicas direcionadas à cúpula nacional do PSOL, acusando o partido de esquerda de agir deliberadamente para travar o andamento das obras da Ferrogrão. Na avaliação do parlamentar mato-grossense, as sucessivas manobras jurídicas e ações de inconstitucionalidade protocoladas pela legenda no Supremo Tribunal Federal (STF) funcionam como uma sabotagem direta ao desenvolvimento do estado, gerando prejuízos bilionários acumulados para o agronegócio e para a economia de dezenas de municípios produtores.
A Ferrogrão, projetada para ligar a região produtora de Sinop ao porto de Miritituba, no Pará, é considerada pelo setor produtivo como a principal rota de escoamento de grãos para consolidar a competitividade do Brasil no mercado internacional. Medeiros pontuou que a interferência ideológica na infraestrutura nacional pune diretamente o produtor rural e encarece o frete, forçando milhares de caminhões a utilizarem rodovias saturadas e perigosas como a BR-163. O deputado argumentou que a judicialização promovida sob justificativas ambientais ignora os estudos de impacto técnico e os benefícios de redução de emissão de carbono que o modal ferroviário traria ao substituir o transporte rodoviário de longa distância.
Diante do travamento que se arrasta nos tribunais superiores em Brasília, o parlamentar cobrou maior celeridade e sensibilidade do Judiciário para destravar o licenciamento da ferrovia estratégica. Lideranças ligadas às bancadas do agronegócio na Câmara Federal endossaram o posicionamento, destacando que a falta de segurança jurídica afugenta investidores estrangeiros interessados em aportar bilhões de reais no projeto via concessões públicas. Com os ânimos acirrados entre o bloco governista e a oposição, a queda de braço em torno da Ferrogrão promete continuar centralizando as discussões políticas de infraestrutura ao longo deste ano, com o setor produtivo mato-grossense cobrando medidas práticas para que o estado não continue refém de disputas de gabinete.
