A corrida ao Palácio Paiaguás ganhou contornos de pura apelação midiática e extremismo ideológico nas redes sociais. Disposto a furar a bolha da polarização tradicional e angariar o engajamento virtual que sustenta sua carreira, o pré-candidato ao Governo de Mato Grosso pelo partido Missão, Rafael Milas, decidiu adotar um discurso violento e puramente populista. De acordo com informações reveladas em reportagem publicada pelo portal de notícias Gazeta Digital, o influenciador prega abertamente uma espécie de caçada humana em Mato Grosso, incentivando que forças policiais executem integrantes de facções criminosas.
A retórica belicista de Milas, focada no ganho de seguidores e curtidas nas plataformas digitais, foi duramente criticada nos bastidores políticos por tentar empurrar o estado de volta ao passado. Para analistas, ao normalizar a violência letal como política de segurança pública em um claro aceno eleitoreiro, o pré-candidato ameaça transformar Mato Grosso novamente na velha “terra do 44” — época em que os conflitos e execuções sumárias ditavam as regras no interior do estado, ignorando completamente as leis vigentes e o sistema de justiça penal.
Se por um lado o discurso voltado à segurança pública exala o populismo mais radical das redes, o posicionamento do pré-candidato em relação à máquina pública revela a face dura do arrocho contra o trabalhador. Na mesma entrevista concedida ao portal FolhaMax, Rafael Milas escorregou ao assumir publicamente que, caso seja eleito, não pagará o passivo retroativo da Revisão Geral Anual (RGA) devido aos servidores públicos do estado. A negação do direito à reposição inflacionária crônica enterra qualquer diálogo com as categorias do funcionalismo, que já sofrem com perdas salariais acumuladas.
O contraste entre a agressividade verbal de internet e a postura austera contra os direitos trabalhistas do servidor expõe o esgotamento precoce da plataforma política do partido Missão no estado. Ao tentar se viabilizar unicamente por meio de polêmicas vazias desenhadas para gerar cortes de vídeos e engajamento em podcasts, Milas dá as costas para o debate técnico e estruturado que o funcionalismo e a sociedade mato-grossense exigem, mostrando que seu projeto de poder está muito mais alinhado com a busca frenética por algoritmos do que com o equilíbrio social do estado.
