O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), parece ter encontrado inspiração nos manuais das velhas oligarquias e dos partidos de esquerda para lidar com as crises de sua própria gestão. Ao ser confrontado sobre o verdadeiro fiasco técnico na MT-170 — rodovia que virou piada nacional após o asfalto recém-entregue começar a esfarelar como areia na região Noroeste —, Pivetta não titubeou: recorreu à clássica tática de terceirizar a culpa e atacar a oposição para tentar desviar o foco da incompetência de seu governo na fiscalização das empreiteiras.
Em uma reação agressiva que expõe o nervosismo com o derretimento de seu discurso de “gestor eficiente”, o governador disparou contra as críticas legítimas feitas por parlamentares da região. “A vida inteira ficaram enrolando o povo e estão querendo criticar agora”, esbravejou Pivetta, em uma tentativa nítida de usar o passado para justificar o presente. Para analistas políticos de bastidor, o comportamento do pré-candidato ao governo repete fielmente a cartilha para criar uma cortina de fumaça ideológica: foca-se em quem aponta o erro, rotulando-o de “oportunista”, enquanto o cidadão continua atolado na lama e no prejuízo.
A revolta da população que trafega pela MT-170, no entanto, não se apaga com bravatas de palanque. A rodovia, que recebeu milhões dos cofres públicos estaduais sob a promessa de uma grande transformação logística para o agronegócio, transformou-se em um monumento ao desperdício de dinheiro público, com o pavimento desmanchando na primeira chuva. Ao invés de o Palácio Paiaguás punir exemplarmente as empresas responsáveis pela obra de qualidade “sonrisal”, o governo Pivetta prefere posar de vítima e acusar os críticos de estarem fazendo politicagem eleitoral.
A estratégia de transferir a responsabilidade pelas falhas de infraestrutura para governos que saíram de cena há quase uma década demonstra que a atual gestão esgotou seu repertório de respostas técnicas. Enquanto Pivetta tenta empurrar a sujeira para debaixo do tapete e adota o modus operandi da esquerda de nunca assumir os próprios erros, os motoristas de Mato Grosso continuam pagando a conta de uma engenharia falida. O rastro de asfalto destruído no interior do estado agora funciona como o principal contra-argumento a um grupo político que tenta se manter no poder vendendo uma eficiência que não se sustenta na realidade das estradas.
