Parece que o céu de Brasília ficou um pouco mais nublado para as cúpulas da Câmara e do Senado. A Polícia Federal abriu uma investigação para apurar a movimentação de malas suspeitas durante um voo que transportava o deputado Hugo Motta e o senador Ciro Nogueira em um jato particular. O detalhe que dá o “tempero” especial ao caso é o dono da aeronave: um empresário do bilionário setor de bets, que aparentemente resolveu oferecer um serviço de táxi aéreo vip para os caciques do Centrão, provando que, no Brasil, as apostas esportivas e a política estão voando na mesma altitude e com o mesmo plano de voo.
A curiosidade dos federais não é sobre o conforto das poltronas de couro, mas sobre o peso e o conteúdo das bagagens que foram acomodadas no compartimento de carga. Enquanto Hugo Motta tenta consolidar sua caminhada rumo à presidência da Câmara e Ciro Nogueira mantém as rédeas do PP, a aparição de malas misteriosas em uma aeronave ligada ao setor que mais cresce (e mais gera polêmica) no país é o tipo de “excesso de bagagem” que a justiça não costuma ignorar. Para os investigadores, a coincidência de interesses entre quem faz as leis e quem lucra com as apostas é um “bilhete premiado” que merece ser analisado quadro a quadro.
O episódio joga luz sobre as relações íntimas e perigosas que orbitam o poder na capital federal. Em tempos de regulação das apostas e discussões sobre integridade, ver os principais nomes da política nacional pegando carona com magnatas dos jogos é um prato cheio para o desdém público. Enquanto as defesas se apressam em dizer que “tudo não passou de uma gentileza” e que as malas continham apenas itens pessoais, a PF segue o rastro do combustível dessa amizade. Afinal, no cassino da política brasiliense, todo mundo sabe que ninguém dá carona de jato apenas por caridade, especialmente quando o passageiro detém a caneta que decide o futuro do setor.
