Carlos Augustin, o popular Teti, cansou de esperar que o PT de Rondonópolis se decidisse entre a ideologia e a sobrevivência e resolveu assinar sua própria carta de alforria política. O empresário e articulador, que por muito tempo foi um dos pilares de sustentação da esquerda na região, percebeu que a estrela solitária estava mais para um “buraco negro” de insegurança e falta de espaço. Ao migrar para o PSB, Augustin não apenas troca de sigla, mas envia um recado amargo para o Planalto: nem mesmo os aliados mais próximos aguentam o clima de incerteza que tomou conta da base governista no estado.

A chegada de Augustin ao PSB é o combustível que faltava para a estratégia de “arqueologia política” da legenda. O partido está empenhado em uma missão de resgate que faria inveja a Steven Spielberg, tentando tirar da aposentadoria figuras como Percival Muniz e até sondando o fôlego de Carlos Bezerra. No novo projeto, Teti deixa de ser um articulador incompreendido no PT para se tornar um dos arquitetos de uma frente de veteranos que pretende retomar as rédeas do poder. É a prova de que o PSB prefere apostar na experiência dos “dinossauros” do que na renovação incerta que o PT insiste em pregar, mas não consegue praticar.

Para Carlos Augustin, o novo abrigo oferece o terreno firme que a areia movediça petista já não garantia mais. Agora, longe das brigas internas de um partido que parece perdido em sua própria narrativa, ele ganha carta branca para articular a volta de nomes de peso ao cenário eleitoral. O PT, por sua vez, fica a ver navios, assistindo a uma de suas lideranças mais estratégicas trocar o vermelho pelo amarelo do PSB, provando que na política de Mato Grosso, o pragmatismo de um projeto sólido vale muito mais do que o brilho de uma estrela que já não ilumina ninguém.