O cenário político brasileiro ganhou um novo e inesperado capítulo de ironia fina durante o programa Estúdio I, da GloboNews. O jornalista Demétrio Magnoli não economizou nas críticas ao analisar a atuação da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), rotulando-a como uma peça fundamental — ainda que não intencional — na engrenagem eleitoral de Flávio Bolsonaro. Segundo o comentarista, a postura da parlamentar, que ele descreveu como pautada por um “identitarismo fanático”, serve como combustível de alta octanagem para a militância conservadora, tornando-a uma cabo eleitoral extremamente eficiente para os planos presidenciais do filho de Jair Bolsonaro.
Para Magnoli, o que Erika Hilton chama de militância, o eleitorado médio interpreta como autoritarismo. O jornalista argumentou que a deputada prefere a repressão estatal e o uso sistemático de processos judiciais ao debate de ideias, o que acabaria por isolar o governo e fortalecer a narrativa da oposição. No auge da análise, Demétrio tocou em um ponto que incendiou as redes sociais ao afirmar que a parlamentar é “biologicamente um homem”, citando que essa visão é compartilhada até por setores que se autodenominam feministas. Para ele, essa insistência em pautas radicais cria uma “cortina de fumaça” que beneficia diretamente o campo bolsonarista nas urnas.
A fala do comentarista surge no rastro de outra polêmica envolvendo o apresentador Ratinho, que também atacou a presença de Hilton na Comissão da Mulher. No entanto, Magnoli elevou o tom para o campo da estratégia eleitoral, sugerindo que o próprio governo evita se alinhar totalmente às manifestações da deputada para não ser arrastado pelo desgaste que sua imagem provoca fora das bolhas progressistas. No fim das contas, a análise deixa um gosto amargo para o PSOL: a sugestão de que sua maior estrela parlamentar pode ser, na verdade, o maior trunfo de seus maiores adversários.
