O ex-presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB), Felipe Macedo Gomes, exerceu o direito de permanecer em silêncio durante a oitiva na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI do INSS) nesta segunda-feira (20). A recusa em responder aos questionamentos dos parlamentares, em um inquérito que apura um esquema milionário de descontos indevidos em benefícios previdenciários, gerou forte reação e pedidos de prisão.

O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), anunciou que apresentará um pedido de prisão preventiva contra Gomes na próxima reunião deliberativa. O relator expôs o suposto esquema, que teria movimentado R$ 700 milhões por meio de quatro associações e lesado milhares de aposentados.

As investigações da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU) apontam Felipe Macedo Gomes como um dos operadores da fraude. O relator detalhou que as quatro associações envolvidas (incluindo a ABCB) movimentaram o dinheiro por meio de descontos não autorizados em benefícios previdenciários.

  • Patrimônio: O esquema envolveria outros investigados que, segundo a PF, possuem uma frota milionária de carros de luxo, incluindo Ferrari, BMWs e Porsches.
  • Servidores Envolvidos: Alfredo Gaspar acusou servidores de alto escalão do INSS e profissionais, como um contador e um advogado, de facilitarem a fraude, permitindo que as associações praticassem “saques contra os aposentados”.

O silêncio do depoente, amparado por um habeas corpus, incomodou os parlamentares. O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da comissão, contestou a recusa de Gomes em prestar o juramento de dizer a verdade, reforçando que a CPMI tem autonomia na investigação.

Felipe Gomes, que chefiou a ABCB por um curto período, também se recusou a responder sobre uma doação de R$ 60 mil feita à campanha do ex-ministro Onyx Lorenzoni, levantando suspeitas de propina.