O endividamento das famílias brasileiras bateu recorde em setembro de 2025. Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 79,2% das famílias do país têm contas a vencer — o maior índice registrado desde o início da série histórica em 2010.

A situação é ainda mais crítica para uma parcela da população: 30,5% das famílias já estão com as contas em atraso, e 13% admitem que não terão condições de pagar o que devem.

O economista-chefe da CNC, Fábio Bentes, explicou que o cenário é resultado da combinação entre juros altos e o orçamento comprometido das famílias.

“Apesar de o mercado de trabalho e a renda estarem crescendo, a taxa de juros está em um patamar tão elevado que nem mesmo esse momento positivo dá conta de acomodar as prestações e os financiamentos cada vez mais pesados sobre o orçamento brasileiro”, afirmou Bentes.

O levantamento mostra que o endividamento é generalizado: os homens são os mais endividados, mas as mulheres são as que mais atrasam as contas. Além disso, o problema não se restringe às famílias de baixa renda, com os mais ricos também endividados. Quase metade das famílias endividadas tem contas atrasadas há mais de 90 dias.

A perspectiva para os próximos meses não é animadora, com economistas prevendo que a melhora só deve ocorrer no final do primeiro semestre de 2026. Fontes