O xadrez político para a sucessão estadual de 2026 ganhou contornos de confronto aberto na ala governista. O vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) está entusiasmado com a criação e a consolidação do chamado “Conselhão” da federação formada por União Brasil e Progressistas (PP). Nos bastidores, a empolgação de Pivetta com esse comitê de notáveis não é por acaso: o grupo funciona como uma estratégia cirúrgica arquitetada para neutralizar o avanço e isolar as pretensões eleitorais do senador Jayme Campos (União), que vem pavimentando sua candidatura ao Palácio Paiaguás. O vice-governador confia piamente que a força institucional desse bloco partidário será suficiente para forçar um consenso em torno de seu próprio nome, sufocando a tradicional ala várzea-grandense.
O “Conselhão” é composto majoritariamente por aliados de primeira hora do governador Mauro Mendes e do próprio Otaviano Pivetta, criando uma espécie de blindagem administrativa em torno da pré-candidatura do vice. Entre os principais cabeças dessa articulação interna estão nomes de peso do União Brasil, como o secretário-chefe da Casa Civil, Fábio Garcia, e o empresário e presidente do Conselho da Nova Rota do Oeste, Cidinho Santos, além de Aécio Rodrigues, presidente da MT Gás. A composição do colegiado escancara o grau absoluto de afinidade com a cúpula palaciana: são operadores políticos que partilham da mesma cartilha de centralização de Mendes e enxergam em Pivetta a continuidade natural do atual modelo de gestão, ignorando as pressões de espaço de outras correntes partidárias. Ao centralizar as discussões e as decisões de apoio dentro dessa estrutura controlada, o núcleo duro do governo tenta carimbar Pivetta como o candidato oficial e natural do bloco, empurrando Jayme Campos para a margem do processo de escolha.
No entanto, o que os estrategistas de Pivetta e Mendes parecem ignorar deliberadamente no tabuleiro é o tamanho e a densidade eleitoral de Jayme Campos. O senador não é um quadro político que se curva facilmente a pressões de gabinete. Dono de uma base histórica e com capilaridade consolidada em praticamente todos os municípios de Mato Grosso, Jayme representa uma força enraizada que o grupo palaciano insiste em subestimar ao tentar impor uma derrota goela abaixo do clã de Várzea Grande.
Analistas políticos alertam que essa tentativa de asfixiar Jayme Campos pode gerar um custo impagável para o grupo governista, resultando em estragos irreversíveis nas campanhas de 2026. Isolar um líder do calibre de Jayme compromete não apenas a sobrevivência do projeto de Otaviano Pivetta ao governo, mas também cria um ambiente hostil para a pretendida caminhada de Mauro Mendes ao Senado Federal. Se a corda romper e o clã Campos decidir cruzar os braços ou retaliar nos redutos do interior, o “Conselhão” que hoje anima Pivetta poderá entrar para a história como o estopim de uma divisão catastrófica na base aliada mato-grossense.
