A estratégia de negação e soberba do grupo governista de Mato Grosso rachou de forma definitiva no meio da praça. Em um movimento que pegou a sua própria base de surpresa e deixou aliados em uma situação vexatória, o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) decidiu assinar um armistício com os órgãos de controle. Pivetta validou publicamente as fiscalizações rigorosas conduzidas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), assumiu que a sua gestão cometeu erros graves na condução de obras públicas e declarou de forma categórica que o presidente da corte, conselheiro Sérgio Ricardo, está apenas cumprindo o seu papel constitucional de vigiar o dinheiro do contribuinte.

O banho de realidade dado por Pivetta, contudo, isolou o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) e o deputado federal Chico Guarnieri (MDB), que preferiram manter os pés atolados no pântano dos ataques institucionais. Ignorando a postura republicana do chefe do Executivo, a dupla subiu o tom e acusou Sérgio Ricardo de promover uma “exploração midiática” em cima das falhas do governo para desgastar a imagem da atual gestão. O desespero da bancada governista é tão latente que Guarnieri chegou ao ponto de usar os microfones para disparar insinuações baratas, alegando que as ações de fiscalização do TCE-MT teriam o objetivo oculto de pavimentar e beneficiar a pré-candidatura de um adversário político ao governo do Estado.

O levante raivoso de Mendes e Guarnieri é o reflexo direto de um comitê de campanha encurralado, que tenta a todo custo criar cortinas de fumaça para esconder a incompetência na entrega de obras estruturantes e os pífios índices de intenção de voto do seu pré-candidato. Ao buscarem subterfúgios e teorias da conspiração sem qualquer embasamento fático, os parlamentares tentam desidratar a autoridade do Tribunal de Contas para blindar contratos sob suspeita. A manobra, no entanto, perdeu toda a força e o nexo político depois que o próprio Otaviano Pivetta veio a público desautorizar a gritaria dos aliados, deixando claro que o governo vai engolir o cansaço e corrigir os erros apontados pela auditoria.

Com as vísceras da aliança expostas, o Palácio Paiaguás assiste a uma desarticulação sem precedentes na história recente do estado. Enquanto Mauro Mendes e Chico Guarnieri insistem em peitar a corte de contas sob a acusação de perseguição política, o governador recua por puro pragmatismo para evitar que as sanções do tribunal paralisem o caixa do Estado no ano eleitoral. A tentativa de transformar o trabalho de controle externo em um picadeiro de intrigas partidárias naufragou de forma vergonhosa: sem o apoio do próprio governador e sem argumentos técnicos para rebater as falhas apontadas, sobrou para os caciques oposicionistas o papel de espectadores de um racha que promete afundar todo o grupo governante nas urnas.