O sonho da casa própria para mais de mil famílias em Rondonópolis continua trancado nas gavetas da burocracia bancária e sem nenhuma perspectiva de se tornar realidade. Mesmo após a realização de uma nova e minuciosa vistoria técnica no canteiro de obras da segunda etapa do Residencial Celina Bezerra, o Banco do Brasil — agente financiador e responsável legal pela liberação dos contratos — optou por um silêncio absoluto. A instituição financeira ainda não se manifestou formalmente sobre o resultado da inspeção e, com isso, o cronograma de entrega das chaves dos 1.152 apartamentos segue oficialmente sem data, gerando forte indignação e desespero nos beneficiários.

A indefinição estica uma novela arrastada que pune diretamente a população de baixa renda do município. Embora a construtora responsável já tenha sinalizado a conclusão física de parte das estruturas dos condomínios, o aval final depende exclusivamente do parecer burocrático do banco. Enquanto o Banco do Brasil adia o seu posicionamento e evita estabelecer um compromisso público, centenas de famílias que já foram sorteadas e pré-selecionadas são obrigadas a arcar com custos pesados de aluguel e a conviver com a angústia de ver os prédios prontos, mas inacessíveis.

A Secretaria Municipal de Habitação e Urbanismo e lideranças políticas da região têm tentado intermediar a situação e cobrar celeridade, mas esbarram na falta de respostas concretas da gerência de soluções e da superintendência do banco. O impasse técnico e administrativo contrasta com o volume de investimentos anunciados pelo Governo Federal para o programa Minha Casa, Minha Vida, evidenciando que o gargalo atual não é a falta de recursos, mas a lentidão operacional da instituição financeira em homologar os laudos de vistoria e autorizar a assinatura dos contratos habitacionais.

Diante do vácuo de informações, cresce a pressão de movimentos sociais e de vereadores locais para que o banco seja acionado judicialmente por quebra de expectativa e omissão. As famílias contempladas, que já participaram de reuniões de orientação condominial e cumpriram todas as exigências burocráticas exigidas pela portaria do programa, planejam novas manifestações para tentar forçar uma resposta. Até que o Banco do Brasil decida romper o silêncio e validar a vistoria, o maior complexo habitacional de Mato Grosso permanece como um monumento à espera, com portões fechados para quem mais precisa de teto.