Mato Grosso sangra diante de uma realidade desumana e assustadora que se alastra pelos municípios sem encontrar qualquer barreira eficiente por parte do poder público. Dados oficiais da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT) revelam um cenário de horror absoluto: apenas nos primeiros meses de 2026, o estado já contabiliza mais de 460 casos registrados de estupro de vulnerável. Como se a barbárie não fosse suficiente, as ocorrências de importunação sexual contra crianças e adolescentes sofreram um salto vertiginoso de 53% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Os números brutais desenham o retrato de uma infância desprotegida e jogada à própria sorte, enquanto o governo do estado mantém um silêncio cômodo e uma gritante falta de compromisso com o enfrentamento do crime.
A escalada da violência sexual no território mato-grossense evidencia que as atuais ações de inteligência e prevenção do Palácio Paiaguás falharam miseravelmente. O aumento de 53% na importunação sexual acende um alerta vermelho que parece ser solenemente ignorado pelas cúpulas da segurança e da assistência social do Estado. Especialistas e defensores dos direitos da infância apontam que o crescimento desses indicadores reflete diretamente a falta de investimentos pesados em delegacias especializadas no interior, a escassez de efetivo policial para o monitoramento de agressores e a ausência crônica de campanhas educativas contínuas e agressivas nas redes de ensino.
O rastro de destruição psicológica deixado nas vítimas e em suas famílias é imensurável, transformando cada novo boletim de ocorrência em um atestado de falência institucional. Nos bastidores políticos, a cobrança sobre o governador e seus secretários aumenta na mesma proporção em que o medo se instala nos lares mato-grossenses. Enquanto a sociedade exige respostas imediatas, cortes de orçamento e o sucateamento dos conselhos tutelares e centros de apoio mostram que o combate à pedofilia e ao abuso infantil virou peça de discurso de palanque, sem correspondência com a realidade orçamentária.
Diante do massacre estatístico que coloca Mato Grosso nas manchetes policiais mais vergonhosas do país, a inércia estatal se torna cúmplice do avanço dos predadores sexuais. O estouro de mais de 460 casos em tempo recorde exige uma intervenção cirúrgica imediata, com a criação de forças-tarefa integradas entre a Polícia Civil, Ministério Público e o Poder Judiciário. Até que o governo estadual assuma sua responsabilidade e encare a gravidade do problema com o orçamento e o rigor que a pauta exige, as crianças e adolescentes de Mato Grosso continuarão pagando com a própria integridade o preço amargo da negligência política.
