A investigação sobre a chamada “Farra do INSS” ganhou um novo e explosivo capítulo com a definição da estratégia de defesa de Fabio Luis Lula da Silva, o Lulinha. Segundo informações apuradas pela coluna de Andreza Matais, o filho do presidente da República pretende alegar que foi “vítima” de sua própria influência, afirmando que sua amiga e lobista Cris Duclos utilizou seu nome e prestígio sem autorização para abrir portas e facilitar os negócios de associações suspeitas de fraudar benefícios previdenciários. O esquema, que movimentou cerca de R$ 1,4 bilhão, baseava-se em descontos indevidos nas folhas de pagamento de milhares de aposentados e pensionistas por meio de entidades como a Aasap, Amar Brasil, Master Prev, Andapp e AAPEN.

No centro da polêmica está o empresário Igor Dias Delecrode, apelidado pelos investigadores de “gênio do mal”. Delecrode é apontado como o braço tecnológico da fraude e recentemente protagonizou um episódio de audácia ao desabilitar seu iPhone 17 Pro Max diante da CPMI para impedir a extração de dados pela Polícia Federal, contando com a orientação de seu advogado, Levy Magno. A defesa de Lulinha tentará provar que a relação com Cris Duclos — ex-executiva de marketing da Vivo — era estritamente pessoal e que ela teria se aproveitado da amizade para transitar entre os interesses das associações e as esferas de influência em Brasília, vendendo uma proximidade com o Palácio do Planalto que, segundo ele, não resultava em benefícios diretos ao filho do presidente.

A CPMI do INSS, comandada pelo senador Carlos Viana (Podemos) e relatada pelo deputado Alfredo Gaspar (União Brasil), segue apertando o cerco contra os envolvidos. O depoimento de Lulinha é aguardado com grande expectativa, uma vez que ele precisa explicar por que seu nome aparecia com frequência nas conversas e articulações da lobista. Enquanto isso, os investigadores buscam novos caminhos, como a quebra de sigilo da operadora Claro e a recuperação de dados em nuvem, para contornar o bloqueio dos aparelhos celulares. O passo a passo das denúncias revela uma teia complexa onde o prestígio político foi usado como moeda de troca para subtrair recursos de quem mais depende da previdência pública, transformando o caso em um dos maiores desafios políticos e jurídicos do momento.