O discurso de transparência total que embalou a campanha do Governo Lula parece ter ficado no passado. Em um movimento que atropela a expectativa de abertura de dados, a atual gestão ampliou de forma visceral o uso de alegações de sigilo para negar acesso a informações solicitadas via Lei de Acesso à Informação (LAI). O que deveria ser a regra — a publicidade dos atos — tornou-se exceção, criando uma barreira impactante entre o cidadão e as decisões tomadas nos gabinetes de Brasília.
A estratégia para manter os documentos sob sete chaves envolve justificativas genéricas, como segurança nacional ou proteção de dados pessoais, mesmo em casos onde o interesse público é evidente. Essa “blindagem” institucional asfixia o trabalho da imprensa e de órgãos de controle, dificultando o rastreio de gastos, agendas e contratos que deveriam estar sob a luz do sol. Para muitos analistas, o governo utiliza um “puxadinho jurídico” para manter longe dos olhos da população temas que podem gerar desgaste político.
Essa postura contraditória gera um ruído ensurdecedor no asfalto político. Ao mesmo tempo em que criticava o uso de sigilos de 100 anos pela gestão anterior, o governo atual agora se vê enredado na mesma trama de esconder informações que poderiam expor as entranhas da máquina pública. A conta dessa falta de transparência é alta: corrói a confiança nas instituições e alimenta a percepção de que existe algo de muito grave sendo varrido para debaixo do tapete dos ministérios.
Com a pressão aumentando no Congresso e a sociedade cobrando respostas, a “caixa-preta” instalada na Esplanada dos Ministérios deve se tornar um dos principais campos de batalha política em 2026. Em um ano decisivo, a manutenção desses segredos oficiais soa como um desafio visceral ao direito fundamental de saber como, onde e por que o dinheiro do contribuinte está sendo gasto.
