Mais de 150 pacientes em Mato Grosso aguardam na fila pela assistência hospitalar domiciliar, conhecida como home care, segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT). O serviço é crucial para pessoas que receberam alta hospitalar, mas continuam dependendo de suporte contínuo e equipamentos como oxigênio, sondas e ventilação mecânica.

A demora na análise dos processos e a burocracia têm levado muitas famílias a recorrer à Justiça para garantir o direito ao atendimento, essencial para a qualidade de vida fora do ambiente hospitalar.

Um dos casos que ilustra a urgência da situação é o da bebê Bella Yohana, de apenas dois meses, que está internada no Pronto-Socorro de Cuiabá. A criança nasceu com uma lesão cerebral grave e depende de oxigênio 24 horas por dia. A mãe, Marilei Silva Santos, tenta há semanas conseguir a estrutura de home care para levar a filha para casa, mas ainda não obteve retorno oficial da Secretaria de Saúde.

Marilei relatou momentos de desespero, como quando a filha sofreu crises de apneia ao deixar o hospital provisoriamente, e a dificuldade financeira de montar o quarto adaptado.

“Eu quero ir pra casa, quero tentar ter uma vida, porque hospital não é vida,” desabafou a mãe.

O processo para a liberação do home care, mesmo após decisão judicial, pode levar meses, envolvendo a necessidade de laudos, orçamentos e bloqueio de recursos públicos, conforme explicado pela Defensoria Pública.

A SES-MT informou que, atualmente, 102 pacientes em Cuiabá e 40 em Várzea Grande já são atendidos com o serviço custeado pelo Estado, mas outros 159 pedidos estão em análise. A situação reforça o desafio do sistema de saúde em Mato Grosso de garantir a continuidade do tratamento e a dignidade dos pacientes mais vulneráveis.