O deputado estadual Diego Guimarães (Republicanos) está articulando a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar supostas falhas estruturais e impactos socioambientais provocados pela Usina Hidrelétrica de Colíder (UHE Colíder).

A iniciativa surgiu após o rompimento de quatro drenos da barragem, o rebaixamento emergencial do nível da água e a circulação de um áudio atribuído a um ex-diretor da Copel — empresa que construiu e administra a usina — apontando que a manobra foi equivocada.

“A gente precisa saber se houve erro de construção, se há risco de rompimento e quem são os responsáveis. Não estamos brincando com vidas humanas, nem com o ecossistema de toda a bacia do Teles Pires”, afirmou o parlamentar nesta quarta-feira (10)

De acordo com o parlamentar, engenheiros e especialistas apontaram que o rompimento dos drenos compromete a estabilidade da barragem, permitindo a passagem de água com sedimentos, o que indicaria desgaste estrutural. Ele também mencionou relatos sobre a formação de possíveis “cavernas” dentro da estrutura, causadas pela corrosão interna do solo.

Segundo ele, caso ocorra um rompimento total da barragem, municípios como Nova Canaã e parte de Colíder poderiam ser diretamente inundados.

“Recebemos informações de que, se a estrutura romper, algumas cidades podem literalmente ficar embaixo d’água. Isso é gravíssimo e precisa ser apurado com urgência”, alertou.

A possível degradação ambiental já estaria em curso, segundo avaliação repassada ao deputado pelo promotor Gerson Barbosa, do Ministério Público Estadual (MPE). Os danos, de acordo com o MP, podem chegar a R$ 100 milhões, afetando fauna, flora e a cadeia econômica local.

Guias turísticos, donos de marinas, pousadas e pequenas empresas que dependem do turismo e da pesca na região relatam prejuízos severos, sem qualquer plano emergencial de compensação por parte da Copel ou da Eletrobras, que adquiriu o controle acionário da usina em maio, mas mantém a Copel na administração até dezembro.

“Até agora, nenhuma proposta concreta de reparação foi apresentada às comunidades. Isso inclui os mais pobres, que estão sendo os mais prejudicados”, destacou.

A proposta da CPI será ampla e pretende investigar desde o início da construção da usina até os problemas recentes. O parlamentar quer envolver a Politec, o Ministério Público, engenheiros especializados e criar um grupo técnico dentro da ALMT para aprofundar a apuração.

  • Possível erro de engenharia na construção da barragem
  • Identificação de responsáveis técnicos e institucionais
  • Avaliação dos riscos reais de rompimento
  • Medidas de mitigação tomadas até o momento
  • Reparação de danos ambientais, sociais e econômicos

“Essa é a primeira vez que uma hidrelétrica tão recente apresenta esse tipo de falha grave. Isso nunca aconteceu no Brasil e não pode passar em branco”, frisou.

Apesar de a usina ter caráter federal, o deputado sustenta que a apuração é de competência estadual, já que o licenciamento ambiental foi concedido pela Sema-MT e os municípios afetados estão todos em território mato-grossense.

“Nada impede que a bancada federal participe, mas a responsabilidade de fiscalizar é nossa. Não podemos nos omitir enquanto cidades inteiras e o meio ambiente estão sob risco”, afirmou.

Diego Guimarães já iniciou a coleta de assinaturas para formalizar o pedido de abertura da comissão. Segundo ele, como nenhuma CPI está em curso atualmente na Casa, não há obstáculos regimentais para a instalação, e o tema tem gerado apoio entre os colegas parlamentares.

“Já estou com o requerimento pronto. Vou conversar com os deputados individualmente e acredito que vamos alcançar as assinaturas necessárias. A população está cobrando e com razão. A Assembleia precisa agir”, finalizou.